As chuvas intensas que caem nos últimos dias estão a provocar sérios transtornos em vários bairros da cidade e da província de Maputo. Entre as zonas mais afectadas destacam-se Hulene, Matola-Gare, Nkobe, Quilómetro 15, Mulotana, entre outras.
Imagens enviadas à nossa redacção mostram residentes a atravessar zonas alagadas, com a água a atingir a cintura, numa tentativa de chegar aos seus locais de trabalho.
Na cidade de Maputo, o Bairro de Hulene é um dos mais críticos. As águas das chuvas invadiram várias residências, deixando famílias em situação de grande vulnerabilidade. Alguns moradores relatam ter passado a noite de domingo em claro, receando pelo agravamento da situação ao amanhecer.
Perante o cenário, algumas famílias optaram por procurar casas de renda em zonas consideradas mais seguras. No entanto, os preços elevados têm dificultado essa alternativa.
“Já andámos por Mavalane, Maxaquene e aqui mesmo em Hulene à procura de casa, mas os senhorios pedem entre cinco a seis mil meticais por casas muito pequenas”, relatou Abrosio Mulua.
Ainda na cidade de Maputo, moradores do bairro de Chamissava, na KaTembe, manifestaram o seu total desespero ao edil de Maputo face ao estado de degradação da principal estrada de acesso às residências.
Segundo os residentes, durante a época chuvosa, a situação agrava-se significativamente, tornando o acesso às suas casas cada vez mais difícil. Os moradores relatam viver um verdadeiro cenário de terror, uma vez que as vias de acesso se transformam em autênticos rios de lama, impossibilitando a circulação de viaturas.
A degradação das estradas tem resultado no isolamento completo de várias famílias, dificultando o acesso a serviços básicos, incluindo transporte, assistência médica e actividades económicas, situação que preocupa a comunidade local.
Na localidade de Mulotana, na província de Maputo, distrito de Boane, a circulação rodoviária encontra-se condicionada devido às chuvas. Duas pequenas pontes estão submersas e intransitáveis na estrada que liga Mulotana a Malhampsene.
Uma fonte local explicou que os moradores são obrigados a entrar na água, que chega à altura da cintura, para efectuar a travessia. Entretanto, a interrupção da ligação transformou-se numa oportunidade de negócio para alguns jovens da zona. Sem meios de transporte adequados, os residentes recorrem ao “txova” (carrinha de mão), mediante o pagamento de 50 meticais.
Alguns transportadores que se aventuram a circular fazem o percurso apenas até à ponte de Malhampsene, obrigando os passageiros a completar o restante trajecto a pé, atravessando a corrente de água, situação que se repete no sentido inverso.
Outra ponte submersa liga o bairro de Mulotana ao bairro de Bili, com acesso à Estrada Nacional Número 4 (N4), na zona do nó de Tchumene.
No distrito de Boane, devido à subida do caudal do rio Umbeluzi, a travessia da ponte de Mazambanine encontra-se interdita a automobilistas e peões. No local, a Polícia da República de Moçambique (PRM) foi accionada para impedir a circulação forçada.
No bairro de Nkobe, várias famílias encontram-se sitiadas e impedidas de sair, devido à formação de um riacho que impede a circulação de pessoas e viaturas.
Situação semelhante vive-se no Bairro Quilómetro 15, onde ruas e várias residências estão completamente alagadas.
Os moradores pedem ajuda, afirmando não ter para onde ir, uma vez que a água invadiu também escolas que poderiam servir de abrigo temporário.
Na Matola-Gare, a estrada foi severamente danificada pela força das águas. Quem tenta atravessar a zona corre o risco de ficar imobilizado em crateras abertas pela erosão, agravando ainda mais os constrangimentos na circulação.





