O Standard Bank Moçambique considera que uma eventual paralisação da Mozal, devido ao diferendo sobre o novo preço de energia, poderá aumentar a “pressão sobre a economia”.
A multinacional australiana South32, accionista maioritário da fundição de alumínio da Mozal, localizada na província de Maputo, reiterou no final do ano passado que a fábrica vai fechar, a partir de Março, entrando na fase de “conversão e manutenção”, devido à falta de um acordo com o Governo, HCB e a empresa de electricidade sul-africana Eskom sobre a nova tarifa a pagar pela operação da companhia.
“O provável encerramento da Mozal no final do primeiro trimestre de 2026 aumenta a pressão sobre uma economia que continua a ser afetada por pressões fiscais e pressões associadas à liquidez do mercado cambial”, alerta o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, num comentário sobre o último Purchasing Managers Index (PMI), o medidor desta instituição bancária sobre a actividade económica.
Apesar dessa perspectiva menos favorável sobre a paralisação da Mozal, “para 2026, prevemos que o crescimento do PIB seja de 1,1%, o que denota uma recuperação lenta em relação às nossas estimativas de um crescimento de 0,7% em 2025”, avança Mussá.
O PMI do Standard Bank Moçambique subiu de 50,8 em Novembro para 50,9 (corrigido de sazonalidade) em Dezembro, fechando o quarto trimestre de 2025 em território positivo.
Em Dezembro, a maioria dos sub-índices do PMI atingiu um nível igual ou superior a 50, o que indica que a actividade económica do sector privado continua a recuperar, acrescenta. Resultados do PMI acima do valor de referência de 50 significam um crescimento mensal consecutivo na atividade económica, explica Fáusio Mussá.
“Mantemos a nossa previsão de inflação no final do ano de 2026 em 5,6%, em termos homólogos, apoiada pelas perspetivas de estabilidade do par dólar norte americano/ metical”, diz ainda Fáusio Mussá. Mussá destaca que, numa análise prospetiva, o PMI sugere alguma recuperação nas perspectivas de negócio, com o sub-índice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a subir em Dezembro, depois da descida nos dois meses anteriores. “Muito provavelmente, os inquiridos estão a ter em consideração as perspectivas de que o progresso dos projectos de gás natural liquefeito (GNL) irá apoiar o crescimento”, enfatiza o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.
O PMI nota que, apesar de os custos dos meios de produção terem subido para um dos níveis mais elevados em 2025, observa-se um efeito limitado de repassagem dos aumentos nos custos para preços de venda. “Por conseguinte, mesmo tendo em conta as pressões sobre os preços da época festiva, estimamos que a inflação tenha abrandado ainda mais em Dezembro, para 4,1%, em termos homólogos, apoiada por efeitos de base favoráveis, em relação aos 4,4%, em termos homólogos, registados em Novembro”, pode ler-se no comentário de Fáusio Mussá.
A análise sublinha que os níveis do emprego vêm subindo a um ritmo mais acelerado desde Abril de 2023 e têm-se registado aumentos sólidos na produção e nos novos negócios.
“Os ‘stocks’ de meios de produção aumentam pela primeira vez em oitoMeses”, frisa o texto.





