Uma organização da sociedade civil, baseada na província de Nampula, acusa a Polícia da República de Moçambique (PRM) de ter promovido um massacre, ocorrido no passado dia 29 de Dezembro, no povoado de Marraca, distrito de Mogovolas, na província de Nampula.
Falando em conferência de imprensa, na última segunda-feira, a organização, denominada Khoxukuru, disse que a Polícia, através da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), matou 38 pessoas, na sua maioria garimpeiros informais, numa acção que supostamente visava travar a invasão destes à uma mina de ouro localizada naquele povoado.
Segundo Gamito dos Santos, as informações prestadas pela Polícia, no último dia do ano de 2025, são falsas, sendo que a única verdadeira está relacionada com a morte de um agente da UIR. Lembre-se que a Polícia disse terem sido mortos cinco garimpeiros e um membro da corporação. O activista acrescenta ainda que, para além de matar 38 pessoas, a UIR feriu outras 13 e deteve cinco. Também foram apreendidas 27 motorizadas.
A Khoxukuru esclarece ainda que a morte do agente da Polícia ocorreu na sequência de uma suposta retaliação protagonizada pela população após a morte dos seus familiares e não em resultado da invasão de um Posto Policial, tal como garantiu a porta-voz da PRM, Rosa Chaúque.
Gamito Santos negou ainda que os jovens envolvidos nos confrontos com a Polícia sejam membros do partido ANAMOLA (Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo) de Venâncio Mondlane, o segundo candidato presidencial mais votado, de acordo com os dados do Conselho Constitucional.
Refira-se que a Rádio Comunitária da Localidade de Iuluti, em Mogovolas, noticiou a morte de pelo menos 13 garimpeiros ilegais, assassinados pela UIR, na segunda-feira do dia 29 de Dezembro de 2025.
A emissora disse que a tragédia ocorreu após um grupo de garimpeiros, munidos de objectos contundentes, terem tentado atacar agentes da UIR, em retaliação ao baleamento, no dia anterior, de dois indivíduos que praticavam mineração ilegal em Marraca. Em reação, a Polícia anti-motim pegou nas AK47 e disparou contra os garimpeiros, tendo resultado em mortes.





