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24 de October, 2025

Médicos residentes anunciam greve a partir de amanhã no HCB por atrasos no pagamento de horas extras

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A partir de amanhã, 25 de Outubro, os médicos residentes do Hospital Central da Beira vão suspender todas as actividades extraordinárias, incluindo urgências, rondas e serviços fora do horário normal de expediente. A decisão resulta dos sucessivos atrasos no pagamento das horas extras, uma situação que se arrasta desde 2023.

“Estamos num processo de reivindicação desde a introdução da Tabela Salarial Única (TSU). Antes, as horas extras eram pagas como honorários, mas esse sistema foi abolido e, desde então, nunca mais recebemos”, explica Nolton Jack, um dos representantes dos médicos.

Segundo Jack, houve várias tentativas de diálogo com a direcção do Hospital Central da Beira, mas sem resultados concretos. “Houve promessas de pagamento entre os dias 5 e 20 de Outubro. Por isso, suspendemos temporariamente a paralisação. No entanto, nada foi cumprido, e agora chegámos ao limite”, lamenta.

Os 64 médicos residentes envolvidos na paralisação dividem-se entre os afectos ao próprio hospital e os provenientes de outras províncias. Muitos enfrentam dificuldades para custear transporte, alimentação e estadia na cidade. “Gastamos do nosso próprio bolso para vir trabalhar. Estamos a servir a comunidade, mas não podemos continuar sem remuneração”, acrescenta Jack.

A paralisação deste sábado abrange todas as actividades fora do horário normal, incluindo feriados e fins-de-semana. Apesar do impacto já previsto nas urgências, os profissionais garantem que mantêm o compromisso ético com os pacientes, mas exigem que o Estado cumpra as suas obrigações. “Consideramos isto como um momento extremo, ninguém quer parar, mas chegámos a um ponto em que não há outra saída”, afirmou.

A direcção do Hospital Central da Beira diz já ter encaminhado documentos ao sector das Finanças para solicitar o desbloqueio dos pagamentos, mas até ao momento os valores não foram creditados. “Queremos algo concreto. Só voltaremos às actividades extraordinárias quando o dinheiro estiver efectivamente nas contas”, reforçou Jack.

Enquanto isso, o ambiente no hospital é de incerteza. Entre corredores e enfermarias, há um sentimento de solidariedade entre colegas, mas também de desgaste e impaciência. Para os residentes, a paralisação não é apenas uma forma de pressão, é um grito de alerta sobre as condições de trabalho e o respeito pela classe médica.

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