A chuva miúda de Genebra parecia uma metáfora. Dentro do auditório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), onde líderes e cientistas debatiam a urgência climática, Moçambique era citado como exemplo de transformação. O Presidente Daniel Francisco Chapo acabara de receber o título de “Eminent Advocate for Multi-Hazard Early Warnings”, tornando-se o primeiro Chefe de Estado africano a ser distinguido pela OMM com esta honra.
“Investir em sistemas de alerta é investir na dignidade humana”, disse Chapo no seu discurso, lembrando que os ciclones Idai, Kenneth e Freddy “roubaram sonhos, mas ensinaram lições”.
Do trauma à prevenção
O Freddy, em 2023, voltou a pôr à prova o país, mas o balanço foi diferente: graças a avisos antecipados e evacuações, o número de vítimas reduziu drasticamente. Foi o primeiro sinal de que o sistema moçambicano de aviso multirriscos estava a funcionar.
As mensagens chegam às comunidades através de rádios, SMS e líderes locais; um modelo que respeita as línguas e as dinâmicas culturais.A aposta tecnológica
“Moçambique mostra que a vulnerabilidade pode ser transformada em antecipação.” Mas o desafio não é apenas técnico. Segundo especialistas, há ainda distritos sem cobertura de comunicação móvel, equipamentos obsoletos e dependência de doadores externos. Apesar disso, Moçambique é hoje visto como laboratório climático africano, onde cada alerta serve também para testar novas tecnologias de prevenção.O custo da resiliência
Estudos da OMM indicam que cada dólar investido em alerta precoce poupa até sete dólares em reconstrução. Segundo dados da ONU, apenas 50% da população mundial está coberta por sistemas de aviso precoce e em África essa percentagem desce para menos de 30%. É essa lacuna que a iniciativa “Early Warnings for All” procura eliminar até 2027.Da catástrofe à esperança





