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14 de October, 2025

Diálogo Nacional “Inclusivo”: ANAMOLA promete divulgar relatório da auscultação independente em Dezembro

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O partido ANAMOLA (Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo) lançou, esta segunda-feira, em Maputo, a auscultação pública independente, no âmbito do Diálogo Nacional “Inclusivo” em curso no país. A iniciativa surge em resposta à exclusão do partido na Comissão Técnica do Diálogo Nacional, liderada por Edson Macuácua, membro sénior da Frelimo.

Segundo o Presidente Interino do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, o Relatório do processo – que prevê a participação de mais de 300 mil pessoas – estará disponível em Dezembro próximo e será entregue à Comissão Técnica. Aliás, Mondlane afirma que a fase-piloto do processo de auscultação popular foi lançada na sua conta pessoal do Facebook, na última quarta-feira, onde teve a participação de pelo menos 45 mil pessoas só no primeiro dia.

“Temos 12 inquéritos a fazer durante quase um mês, só no Facebook, e eu acredito que, até ao fim do 12º inquérito, muito provavelmente a gente vá alcançar cerca de 150 a 200 mil pessoas. Por isso, aqui vai ficar um desafio para aquela Comissão Técnica que nós, no fim, quando entregarmos o nosso relatório, em Dezembro, a primeira pergunta que vamos querer ver respondida é qual é a base de dados de consulta e comparar com a nossa que vai estar, de certeza, acima de 300 mil pessoas consultadas”.

No seu discurso de lançamento da auscultação pública paralela, Venâncio Mondlane disse ainda que o processo vai ser replicado em todo o país, incluindo todas as localidades e garante que o ANAMOLA tem representação política em todo o território nacional. Assegurou ainda que os termos de referência da auscultação pública serão os mesmos usados pela Comissão Técnica.

“O nosso foco é que, até Dezembro, consigamos chegar às 1.100 localidades. Acreditem que temos representações políticas em todo o país e acredito que devemos ser a segunda maior força política com maior implantação territorial, em Moçambique”, defendeu.

Para Venâncio Mondlane, a exclusão política e social dos actores relevantes da sociedade moçambicana nos processos de desenvolvimento do país é histórica, tendo começado logo após a independência nacional quando a Frelimo rasgou o Acordo de Lusaka, que previa a realização de eleições. Acrescentou que o seu partido foi excluído do Diálogo Nacional por se saber que não concorda com o modus operandi de resolução de conflitos eleitorais, que se baseia em acordos e não na verdade eleitoral.

“O ANAMOLA veio mudar a história dos processos eleitorais serem resolvidos com Acordos e não com a verdade eleitoral. É por isso que é negada a possibilidade de o ANAMOLA fazer parte por saberem claramente que tem a capacidade de colocar o dedo na ferida. Então, não interessa o ANAMOLA estar neste grande banquete que foi a história dos últimos 30 anos”, sublinhou.

ANAMOLA defende liberalismo democrático fundamentado na filosofia Ubuntu

No seu discurso, Venâncio Mondlane disse ainda que a ideologia política do ANAMOLA será definida em Junho de 2026, durante o primeiro Congresso do partido, mas adianta que a Comissão Executiva e o Conselho Nacional já definiram as bases para o debate.

“Em termos de visão geral do universo, somos um partido que crê num Deus único. Em termos de organização de um Estado, acreditamos que a unidade fundamental é a família e nos seus valores, mas também defendemos um liberalismo democrático, fundado num Estado de Direito e fundamentado na filosofia ubuntu, que é uma filosofia africana”, disse. (A.M.)

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