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29 de September, 2025

Desinteresse de investidores e elevados custos operacionais limita desenvolvimento de fintech em Moçambique

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As fintechs em Moçambique enfrentam um cenário de desafios e oportunidades que moldam o futuro da inovação financeira no país. De acordo com a “Newsletter” de Inclusão Financeira, publicada em Setembro corrente pelo Banco de Moçambique, o ecossistema fintech, em Moçambique, enfrenta limitações devido ao reduzido interesse de investidores e à falta de capital de risco, desenvolvimento empresarial, assistência técnica e apoio à capacitação.

“A questão dos custos operacionais também se destaca como um desafio crítico, especialmente os elevados custos do protocolo de comunicação que permitem a interacção entre dispositivos móveis e operadores de rede (USSD, sigla em inglês) e dos dados móveis, que dificultam a prestação dos serviços pelos fornecedores e a sua adopção pela população”, refere o documento.

A fonte refere ainda que as fintechs enfrentam, igualmente, obstáculos significativos, como a necessidade de um enquadramento regulatório mais flexível e proporcional, que permita o crescimento sustentável das startups sem comprometer a segurança do sistema financeiro.

“Adicionalmente, é necessário criar mecanismos para facilitar e acelerar o processo de licenciamento de novas empresas do sector. A interoperabilidade é um factor crucial para o desenvolvimento do ecossistema fintech, garantindo que diferentes provedores de serviços possam operar de forma integrada”, lê-se na Newsletter.

Como solução, a fonte refere que é necessária a abertura das aplicações e interfaces da SIMO Rede a todas as fintechs, permitindo testes e desenvolvimentos prévios ao seu licenciamento, um passo fundamental para a dinamização do sector.

“Além da interoperabilidade disponibilizada pela rede única nacional, é essencial garantir o acesso estável a mecanismos de validação, como o número único de identificação bancária (NUIB), documentos pessoais e listas de verificação de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, Financiamento do Terrorismo e Proliferação de Armas de Destruição em Massa”, acrescenta a Newsletter.

Contudo, de acordo com a fonte, estes serviços devem ser assegurados por entidades centrais governamentais ou reguladores, garantindo maior segurança e confiabilidade nas transacções financeiras. Para o Banco de Moçambique, “resolver essas lacunas é essencial para impulsionar a inovação fintech e fortalecer a inclusão financeira no país”.

Além de desafios, o sector tem algumas oportunidades para se desenvolver. A fonte destaca a crescente digitalização da economia e o desenvolvimento de infra-estruturas tecnológicas, como a plena operacionalização da SIMOrede e a adopção de novas plataformas de integração que criam um ambiente propício para a expansão dos serviços financeiros digitais.

“Além disso, iniciativas como o Sandbox regulatório do Banco de Moçambique oferecem um espaço para testar soluções inovadoras, acelerando a entrada de novos players no mercado e incentivando a modernização do sector”, refere a Newsletter.

Refira-se que as fintechs – “financial technology” (tecnologias financeiras) – são empresas que combinam finanças e tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais rápida, acessível e barata, desafiando as instituições tradicionais. Elas actuam com pagamentos, empréstimos, investimentos e seguros, utilizando aplicativos e plataformas digitais para simplificar processos e tornar os serviços mais práticos para o dia-a-dia do consumidor, como o uso de bancos digitais e carteiras virtuais.

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