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24 de September, 2025

Distrito da Namaacha: mais de 600 trabalhadores da Beluzi Bananas entram em greve

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Mais de 600 trabalhadores da empresa Beluzi Bananas, Lda., localizada em Mafavuca 1, distrito da Namaacha, paralisaram as suas actividades, desde as primeiras horas da manhã de terça-feira, (23), numa greve motivada pela exigência de aumento salarial.

Os trabalhadores rejeitam a posição da empresa de apenas aceitar um aumento salarial de 350 meticais somente para novos trabalhadores e com menos de seis meses de serviço.

Esse número de trabalhadores abrangidos pelo aumento salarial não ultrapassa 50, numa unidade de produção que emprega mais de 600 trabalhadores, avançaram os grevistas.

“Estamos cansados de sermos intimidados. Quem levanta a voz ou questiona as decisões do patronato é perseguido e muitas vezes demitido sem justa causa”, desabafou um funcionário, que falou sob anonimato.

Entre os grevistas, encontram-se idosos, grávidas e mulheres com bebés, que permanecem desde terça-feira na empresa.

Durante a noite, improvisaram formas de repouso e tiveram de se alimentar apenas de bananas, numa clara demonstração da precariedade em que decorre a paralisação.

De acordo com relatos colhidos pela “Carta”, esta não é a primeira vez que a força laboral da Beluzi Bananas recorre à greve. No ano passado, uma paralisação semelhante ocorreu depois de a administração se recusar a pagar o 13º salário, que acabou sendo liquidado apenas após forte pressão dos trabalhadores.

Estrutura da empresa e impacto

A Beluzi Bananas opera no mercado há 21 anos, destacando-se como produtora e exportadora de bananas, além de cultivar abacate. A empresa exporta parte da sua produção para a vizinha África do Sul e dispõe de uma frota de camiões que diariamente transporta os trabalhadores de pontos como Boane e Massaca, garantindo-lhes deslocação para turnos que vão das 6h00 às 15h00.

Apesar das reivindicações, a empresa tem procurado manter uma imagem de investimento comunitário. De acordo com documentos da empresa, a Beluzi Bananas assume-se como promotora de desenvolvimento rural nas áreas com escassas oportunidades de emprego.

“Como muitos moçambicanos rurais têm poucas oportunidades de emprego nas áreas subdesenvolvidas, qualquer investimento privado é visto como um farol de esperança. A Beluzi não só cria postos de trabalho, mas também desenvolve infra-estruturas que beneficiam as comunidades vizinhas”, refere a empresa.

Assinala ainda que o sucesso comercial permite investir no bem-estar social, através de projectos que melhoram os padrões de vida, enfatizando que construiu uma clínica de maternidade, unidades de tratamento de malária e de primeiros socorros, bem como uma esquadra da polícia e escolas, contribuindo para a segurança, saúde e educação da comunidade.

“Carta” ainda não conseguiu obter o pronunciamento da direcção da Beluzi Bananas.

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