Os primeiros resultados não oficiais das eleições de terça-feira (16) mostram Mutharika na liderança, mas é provável que haja uma segunda volta. As contagens iniciais de votos no norte do Malawi mostram o ex-presidente Peter Mutharika à frente do actual presidente Lazarus Chakwera na eleição presidencial.
No entanto, projecções sugerem que a disputa pode ir para uma segunda volta, se nenhum candidato obtiver 50% mais um.
A contagem dos votos começou após o encerramento das urnas, às 16h (horário local) de terça-feira, com os centros de contagem em todo o país trabalhando durante a noite.
A Comissão Eleitoral do Malawi ainda não divulgou os números nacionais consolidados, mas indicou que os resultados serão verificados antes de serem anunciados em etapas.
Seja como for, em quase todos os distritos do Malawi, os resultados sugerem que o ex-presidente Arthur Peter Mutharika assumiu uma liderança considerável nas eleições de 2025, com contagens mostrando um forte desempenho tanto nas suas bases tradicionais bem como em áreas historicamente leais ao líder do Partido do Congresso do Malawi (MCP), Lazarus Chakwera.
Contagens preliminares indicam que Mutharika dominou a Região Sul, conquistando distritos como Thyolo, Mulanje, Phalombe, Zomba, Mangochi, Salima, Nkhata Bay e Ntcheu. Em vários desses distritos, os primeiros números mostram que ele venceu por ampla margem, com percentuais de votos variando entre 65% e 80%.
Mais impressionantes, no entanto, são as suas incursões em redutos do MCP nas regiões Central e Norte. Contagens não oficiais sugerem que Mutharika ganhou terreno em Kasungu, Dedza, Karonga, Mzimba e até mesmo na cidade de Mzuzu, áreas onde o MCP anteriormente dominava.
Nos centros urbanos, Mutharika tem um desempenho ainda melhor. Os primeiros resultados de Blantyre, Zomba, Lilongwe City e Mzuzu mostram uma liderança significativa, uma tendência que, segundo analistas, está a ser impulsionada pela alta participação dos jovens e pela frustração urbana com o partido no poder, o MCP.
A Comissão Eleitoral do Malawi (MEC) ainda não anunciou os resultados oficiais, criando uma grande ansiedade no país. O órgão eleitoral afirmou que cerca de 3,7 milhões de eleitores de um universo de 7,2 milhões foram às urnas, representando 51,37% de todos os eleitores registados.
Eleitores votaram ao ar livre
Pela primeira vez no Malawi as eleições foram realizadas com as urnas ao ar livre como forma de reforçar a transparência. O método escolhido pela Comissão Eleitoral para a organização da votação tem despertado atenção dentro e fora do país. Diferentemente de outros Estados da região, as urnas foram colocadas em espaços abertos, ou seja, ao ar livre, permitindo que todo o processo seja acompanhado de forma visível pela comunidade.
A decisão da Comissão Eleitoral de colocar as urnas em locais ao ar livre reduz a margem para suspeitas de fraude, como o preenchimento extra de boletins ou o manuseio fora do alcance dos olhos do eleitorado. Cada etapa foi acompanhada por membros das mesas, fiscais dos partidos, observadores e cidadãos comuns.
Mesmo existindo salas de aula e outras infra-estruturas que poderiam ser usadas para montar cabines de voto e locais de contagem, as autoridades eleitorais optaram por manter as operações em áreas abertas dentro dos recintos escolares. A prioridade, segundo explicaram, é “garantir confiança total” num processo que tem sido posto à prova em anteriores pleitos.
Analistas eleitorais sublinham que a opção do Malawi pode ser entendida como uma resposta às críticas recorrentes sobre a lisura dos processos africanos. Ao expor todo o procedimento à vista dos eleitores, o país coloca-se sob escrutínio público permanente, diminuindo as brechas para contestação.
No entanto, há também quem questione se o modelo malawiano não compromete a privacidade do voto. Mesmo com a transparência assegurada, críticos lembram que o sigilo é um dos princípios centrais das democracias modernas e deve ser garantido para proteger os cidadãos de pressões políticas ou sociais.
A experiência do Malawi mostra, contudo, que há espaço para repensar modelos. A combinação entre transparência e sigilo, equilibrada de acordo com cada contexto, pode ser um caminho para fortalecer a credibilidade eleitoral em toda a região.
Resta saber se os resultados das eleições de 2025 em território malawiano, conduzidas sob o olhar atento da comunidade, serão suficientes para provar que, em matéria de confiança democrática, a exposição pode ser tão importante quanto a privacidade. (Carta)




