O Presidente da República, Daniel Chapo, presidiu na tarde desta quarta-feira (17) ao lançamento oficial de um dos maiores empreendimentos de ecoturismo em Moçambique, localizado no distrito de Massingir, província de Gaza, a mais de 300 quilómetros da capital, Maputo.
O projecto, avaliado em centenas de milhões de dólares e liderado pelo grupo AMAN, em parceria com a Karingani Holding Company e a Impact Preservation Partners, será construído numa área de 1.400 hectares, situada a cerca de 15 quilómetros da vila-sede de Massingir, junto a uma das zonas de maior potencial de conservação do país. A conclusão está prevista para 2028, marcando a estreia da prestigiada cadeia hoteleira AMAN na África Subsaariana.
A cerimónia contou com a presença da governadora de Gaza, Margarida Mapanzene, e da secretária de Estado da Indústria, Custódia Paúnde, além de parceiros nacionais, líderes comunitários e investidores estrangeiros.
Foi feita a entrega do DUAT e da respectiva autorização dos investimentos.
Um marco na história do turismo moçambicano
No seu discurso, Daniel Chapo classificou o dia como “um momento histórico na trajectória do turismo da República de Moçambique”, sublinhando que o investimento simboliza confiança no país e abre caminho para um “modelo de crescimento sustentável e inclusivo”.
“Este não é apenas mais um hotel. É um projecto transformador que eleva Moçambique para o circuito mundial do turismo de luxo”, declarou o Chefe de Estado, acrescentando que o empreendimento já emprega mais de 300 trabalhadores locais e garantiu formação profissional a seis jovens em hospitalidade e gestão de vida selvagem na África do Sul.
Chapo destacou ainda que o turismo será um dos motores da diversificação económica, capaz de criar emprego “para todas as classes sociais, mesmo para quem nunca frequentou a escola”, ao mesmo tempo que dinamiza sectores como a agricultura, indústria, energia e infra-estruturas.
O Presidente da República aproveitou a ocasião para reafirmar a visão do Governo de apostar na conservação aliada ao desenvolvimento. “O turismo é uma área que demanda todas as outras áreas. Queremos que este hotel seja abastecido com produtos agrícolas das comunidades locais, que os jovens sejam capacitados e que cada turista leve consigo a simpatia e a cultura do nosso povo”, sublinhou.
O investimento será de classe mundial
Durante a cerimónia, Paul Milton, Presidente Executivo da Karingani, apresentou a maquete do projecto e explicou os detalhes da infra-estrutura que, além do hotel de luxo com 30 vilas, incluirá um Spa de classe mundial, ginásio, instalação médica, alojamento para os trabalhadores, fazenda solar, além de sistemas próprios de abastecimento de água e energia.
Segundo Milton, mais de sete milhões de dólares já foram investidos em infra-estruturas críticas, para garantir água e energia eléctrica ao local, incluindo um sistema de bombagem flutuante em Massingir e uma linha de 33 quilómetros conectada à rede nacional. “O Aman Karingani não é apenas um hotel, é uma plataforma que coloca Gaza, Inhambane e Moçambique no palco mundial do turismo de qualidade”, afirmou.
Já Ashish Kamani, director jurídico do grupo Aman, destacou a importância do projecto para o posicionamento internacional da marca e para o futuro do turismo moçambicano. “Aman tem hoje 36 ‘resorts’ em mais de 20 países. Escolhemos Massingir porque este é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade e de maior importância cultural da África. O nosso compromisso é criar experiências únicas, em harmonia com a natureza e em apoio às comunidades locais.”
Há perspectivas de desenvolvimento regional e visão de futuro
O Governo anunciou ainda a requalificação do aeródromo de Massingir, que se tornará numa nova porta de entrada para os turistas internacionais e um corredor logístico para a exportação de produtos agrícolas. O empreendimento, além de hotelaria, prevê criar uma cadeia de valor local que envolve agricultores, pescadores, artesãos e pequenos negócios comunitários.
Para Daniel Chapo, este investimento insere-se num ciclo histórico que coincide com os 50 anos da independência nacional. “Assim como em 1975 dissemos ao mundo que Moçambique era politicamente livre, hoje reafirmamos que seremos também economicamente livres. O Aman Karingani é mais do que turismo, é símbolo de uma nova era de confiança, de esperança e de prosperidade.”
Com este anúncio, Massingir, um distrito periférico conhecido sobretudo pela sua barragem e áreas de conservação, projecta-se agora como epicentro de um mega-projecto turístico de dimensão global, que poderá redefinir o lugar de Moçambique no mapa do turismo de luxo.





