Um grupo de jovens, incluindo militares que combateram o terrorismo na província de Cabo Delgado, denunciou alegadas irregularidades no concurso público para a Polícia Municipal de Marracuene, na província de Maputo. O concurso foi lançado em Abril de 2024 e previa a contratação de 60 agentes, os primeiros daquela autarquia criada em 2023.
Segundo os concorrentes, a selecção dos candidatos carece de transparência. Entendem que o júri está a beneficiar candidatos ligados a dirigentes da Frelimo, em detrimento de outros que cumprem todos os requisitos.
“Eu sou desmobilizado e respondo por todos os jovens aqui em Moçambique. Fui aprovado desde o primeiro instante, mas agora estão a reverter as vagas anunciadas. Estamos indignados”, declarou um dos candidatos, mostrando o seu cartão de identificação militar e sublinhando ter arriscado a vida na defesa do país em Cabo Delgado.
Os participantes afirmam que, inicialmente, tinham sido anunciadas 150 vagas, mas o número foi alterado sem explicações claras. Além disso, denunciam a divulgação de uma “lista final alterada”, onde aparecem nomes de pessoas que não realizaram nenhum exame ou que não tinham sido apuradas nas fases anteriores, mas que, ainda assim, constam como seleccionadas.
“Não estamos a pedir favores, apenas uma oportunidade justa. Lutamos por este país, mas agora somos deixados de lado. Este concurso devia ser para todos, não apenas para filhos de governantes”, acrescentou um outro candidato.
Em resposta às denúncias, o Presidente do Município de Marracuene, Ahmad Shafee Sidat, afirmou que tem recebido muitas reclamações relativas ao processo e que irá iniciar um trabalho de investigação, solicitando apoio para aferir eventuais irregularidades.
Contudo, esclareceu que o concurso previa, de facto, 60 vagas, tendo-se registado 7.423 candidatos. O autarca sustenta ainda que o processo seguiu os trâmites estabelecidos e que apenas os melhores classificados foram seleccionados.
Porém, para acalmar os ânimos e responder às denúncias, a autarquia garante que vai criar uma Comissão de Inquérito, composta por seis membros independentes, com objectivo de investigar as queixas, apurar responsabilidades e restituir a transparência do processo.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada pelo Gabinete de Shafee Sidat, a comissão estará aberta à recepção de denúncias e reclamações hoje, 15 de Setembro, entre as 09h00 e as 11h00, na sala de sessões do Conselho Municipal da Vila de Marracuene.





