O presidente Daniel Chapo prometeu que o seu governo não cederá à pressão da fundição de alumínio (Mozal), localizada nos arredores de Maputo. A disputa entre o governo e a Mozal diz respeito ao preço pelo qual a fábrica compra a sua electricidade.
Na Mozal, os lingotes de alumínio são produzidos a partir de alumina importada da Austrália. O principal insumo local é a electricidade, gerada na barragem de Cahora Bassa, no Rio Zambeze, na província central de Tete.
As fundições de alumínio consomem enormes quantidades de energia. No caso da Mozal, a fundição consome 950 megawatts, o que é mais do que o consumo de electricidade do resto do país.
O contrato de fornecimento de energia à Mozal termina em Março do ano que vem e, até agora, tem sido impossível negociar um novo contrato.
O principal accionista da Mozal, a empresa australiana South32, afirmou numa conferência de imprensa realizada na passada quinta-feira (14), em Maputo, que os acordos actuais “não dão confiança de que a Mozal irá garantir electricidade suficiente e acessível para além de Março de 2026”.
Sem acordo sobre o preço futuro da electricidade, “limitaremos o investimento na Mozal, interrompendo o revestimento de vasos e dispensando os empreiteiros associados a partir deste mês”, ameaçou a South32. “Sem acesso à electricidade suficiente e acessível, prevemos que a Mozal ficará sob cuidados e manutenção ao final do contrato actual”.
Na realidade, isso representa uma ameaça ao fechamento total da fundição. Uma fundição não possui um interruptor liga/desliga. Resfriar todos os fornos (“potes”) e ligá-los novamente seria demorado e muito caro.
Graham Kerr, CEO da South32, também entrevistado na quinta-feira, alertou: “minha crença é: se você fechar a Mozal, nunca mais a colocará em funcionamento. É muito difícil.”
A energia de Cahora Bassa não vai directamente para a Mozal, mas sim através da empresa de electricidade sul-africana, a Eskom. Isto porque não existe uma linha eléctrica directa do Vale do Zambeze para a região de Maputo. Toda a energia de Cahora Bassa para o sul de Moçambique vai primeiro para a subestação Apollo, na África do Sul, e depois é transportada pelas linhas de transmissão da Eskom.
O governo moçambicano há muito tempo quer acabar com esse acordo complicado, construir uma nova linha de energia para Maputo e comprar electricidade directamente da HCB, a empresa que opera Cahora Bassa.
Em declarações a jornalistas no domingo, após regressar de uma Cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Madagáscar, Chapo afirmou que as discussões continuam para encontrar preços de electricidade justos que satisfaçam ambas as partes. Alertou que, se as tarifas propostas pela South32 fossem aceites, a HCB correria o risco de entrar em colapso.
Nas negociações actuais, acrescentou Chapo, “o que estamos a fazer é defender o interesse nacional e os interesses do povo moçambicano. Temos uma responsabilidade adicional como governo e não podemos aceitar tarifas que levem a HCB a subsidiar a Mozal e a levariam ao colapso. Portanto, as negociações continuam”.
A Mozal é de longe a maior fábrica de Moçambique. Emprega cerca de 5.000 trabalhadores directamente e outros 20.000 indirectamente. (AIM)





