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13 de August, 2025

Já não há gatos na cidade

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Nem cães vadios! Nas noites, nos subúrbios, os gatos pululavam aos magotes. Farejavam restos de comida nos quintais das casas. Ouvíamos, a dormir, os gritos de dor no cruzamento entre estes pequenos felinos. O genital do macho tem espinhos, fere a fêmea ao efectuar a penetração. E nós acompanhávamos essa crueldade. Os ratos tinham nos gatos os seus inimigos fatais. Quem tivesse gato em casa tinha ajuda no combate aos roedores. Agora os gatos sumiram.

Os cães vadios também. Faziam parte do ritmo da cidade, sobretudo nos subúrbios. Andavam por aí, soltos. Frequentavam as lixeiras, disputando a gandaia com os humanos, não tinham medo um do outro. Latiam como se todo este espaço fosse deles, mas era deles também. Víamo-los, em cio, atrás das fêmeas. Nas noites, a altas horas, ficávamos com medo de nos encontrarmos com esses animais que se podem modificar em feras.

Mas a história mudou. O que se diz agora é que a carne de gato se tornou um petisco vorazmente procurado. Antigamente eram os machopes, segundo se diz, os maiores devoradores de carne de gato. Porém, hoje já não são só eles, os bitongas também estão alinhados. No mesmo diapasão. Então vai haver uma caça silenciosa, porém implacável contra os gatos. Uma vez provado esse pitéu, será sempre desejado. É como a carne humana nas papilas gustativas do crocodilo.

É isso, os gatos foram dizimados. Isto é um extermínio. E já não há mais para ferver nas panelas e degustar em petiscadas nas bebedeiras nos subúrbios onde reina a miséria. Onde reina o silêncio provocado pela fragilidade do corpo que desmorona a cada dia. Não há energia para um consumidor viciado de thonthontho (aguardente caseira). E também já não há carne de gato.

Quanto à carne de cão já não são os bitongas que a procuram, que a consomem. Também nunca houve relatos de que os machopes são apreciadores de carne de cão. Mas os caninos vadios seguiram o mesmo caminho dos gatos, sucumbiram na razia. As informações que circulam por aqui é de que os consumidores de carne de cão não são daqui, mas eles pagam bem a quem lhes apresentar a espécie. É por isso que muitos jovens e adultos entraram na empreitada da caça aos cães sem apelo nem agravo. E deram cabo dos bichos.

Esta é a face não oculta da cidade de Inhambane. Que vive momentos jamais imaginados, que incluem a proliferação de ladrões, maioritariamente adolescentes e jovens. Agora ninguém está seguro por aqui.

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