A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com 44 anos de actividade, anunciou a intenção de dar um passo histórico no sector de petróleo e gás em Moçambique, passando de mera parceira a operadora de projectos de exploração e produção.
A decisão foi debatida no último fim-de-semana, na Ponta de Ouro, distrito de Matutuine, província de Maputo, onde o Conselho de Administração da empresa se reuniu para definir um plano estratégico ambicioso que marque uma nova fase da sua actuação.
Actualmente, a ENH participa como accionista em cerca de 10 concessões de hidrocarbonetos no país, representando os interesses do Estado e detendo participações que variam entre 10% e 40% na cadeia de valor da pesquisa e produção. A empresa funciona como braço comercial do Estado, mas a operação dos grandes projectos está, até agora, nas mãos de multinacionais estrangeiras como a TotalEnergies (Mozambique LNG – Área 1), a ENI (Coral Sul FLNG – Área 4) e a ExxonMobil (Rovuma LNG), entre outros operadores.
A presidente do Conselho de Administração da ENH, Ludovina Bernardo, considera que chegou o momento de o país dar o salto e assumir um papel de liderança. “Temos de começar a nos posicionar na indústria de petróleo e gás como operadores. Queremos operar e, se tudo correr bem, em breve partilharemos os resultados dos primeiros passos nessa direcção”, afirmou.
Para além da sua presença nos grandes projectos offshore, a ENH detém interesses na Central de Processamento de Pande e Temane, na província de Inhambane, e em iniciativas ligadas a gasodutos. A empresa actua também como agregadora e comercializadora de gás natural, dispondo de uma rede de distribuição canalizada de 65 quilómetros, que abrange a cidade de Maputo e o distrito de Marracuene. No seu horizonte estratégico está igualmente a participação no transporte de gás natural, petróleo e condensado, tanto por via marítima como terrestre, incluindo projectos transfronteiriços.
Capacitação de jornalistas sobre o sector de petróleo e gás
No quadro do seu compromisso com a transparência e partilha de informação de interesse público, a ENH promoveu um workshop de capacitação destinado a mais de 25 jornalistas de diversos órgãos de comunicação social. A formação, também realizada na Ponta de Ouro, foi organizada pela Direcção de Comunicação da empresa e centrou-se no papel da ENH na cadeia de valor do petróleo e gás em Moçambique.
Os trabalhos abordaram o quadro regulatório do sector, o papel do Conteúdo Local e as oportunidades de negócios que este pode criar para pequenas e médias empresas (PME) nacionais. Ludovina Bernardo destacou que esta é apenas a primeira de várias iniciativas de aproximação à imprensa. “É um abrir de portas. O objectivo é promover mais capacitações, criar conexão e interação com a mídia”, sublinhou.
A responsável frisou ainda que um dos grandes desafios é fomentar o surgimento e fortalecimento de empresas nacionais capazes de prestar serviços competitivos à indústria.
Foram igualmente discutidas questões de responsabilidade social corporativa e o papel da ENH no desenvolvimento comunitário.
Os jornalistas saudaram a iniciativa, considerando que a partilha de informação técnica e institucional vai contribuir para uma cobertura mais rigorosa e livre de especulações sobre o sector energético no país. (Carta)





