O Parque Nacional de Magoe, na província de Tete, registou 15 mortos e 10 feridos graves no primeiro semestre deste ano, resultado de ataques de animais selvagens, sobretudo elefantes. A informação foi divulgada pela Administradora do Parque Nacional de Magoé, Júlia Mwito, que alerta para o agravamento da situação devido aos efeitos do fenómeno climático El Niño.
Neste momento, mais de 35 mil famílias vivem dentro dos limites do parque, o que tem contribuído para o aumento do conflito homem/fauna bravia. A escassez de alimentos e água no interior do parque está a empurrar os elefantes para zonas agrícolas e ribeirinhas, onde entram em confronto com a população.
“A floresta está a ficar vazia. O elefante, sendo herbívoro, não encontra alimento suficiente e acaba por procurar comida nas hortas. Além disso, nas margens da albufeira e perto dos rios, há água, o que o atrai ainda mais”, explicou Júlia Mwito.
A fonte reforça a importância de preservar a biodiversidade sem colocar em risco a vida humana. Para o efeito, estão em curso acções de sensibilização junto às comunidades locais no sentido de promover práticas seguras de convivência com os animais.
“Aconselhamos as famílias a não tentarem afugentar os elefantes, porque elas [as famílias] não têm capacidade para isso. É preferível perder uma colheita do que a vida. A paciência e o distanciamento são as melhores estratégias”, alertou.
Por outro lado, a fonte explicou que o parque tem registado uma redução considerável dos casos de caça furtiva, estimando-se em cerca de 40%. Esta diminuição tem contribuído para uma maior presença de animais visíveis, potenciando o turismo ecológico na região.
Além da fauna, o Parque Nacional de Magoe é lar de uma das maiores florestas fósseis da África Austral. Os troncos fossilizados de mopane, com mais de três milhões de anos, representam uma valiosa herança geológica e são uma das principais atracções para o turismo científico e de contemplação.
“Esta é uma área com enorme potencial turístico, que deve ser melhor explorada para gerar receitas e valorizar o património natural nacional”, defendeu. (Carta)





