Pelo menos quatro corpos sem vida foram encontrados nos últimos dias na aldeia de Ulo, na zona sul do distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado. Até este domingo (13), a identidade das vítimas, todas do sexo masculino, ainda era desconhecida.
Fontes locais disseram à “Carta” não ter dúvidas de que “os corpos pertencem a pescadores alegadamente mortos por membros da Marinha de Guerra de Moçambique, no distrito de Macomia, entre os dias 5 e 8 de Julho”.
“Não foram mortos por terroristas. Acreditamos que são os nossos irmãos que foram assassinados em Quiterajo pelos oficiais da Marinha de Guerra. Isso é baseado no que aconteceu na semana passada, quando outros pescadores que estavam lá foram mandados regressar”, disse um residente da vila de Mocímboa da Praia.
Outro morador confirmou a descoberta dos corpos, explicando que, devido ao estado de decomposição, foram enterrados junto à costa. “Não havia como carregar, foram enterrados ali mesmo”, disse.
A mesma fonte acredita que ainda podem existir outros corpos ao sul da localidade de Ulo. “Neste momento, com o vento a soprar de sul para norte, não temos dúvidas de que há mais corpos. Considerando que as mortes ocorreram do lado de Quiterajo, é muito provável”.
As nossas fontes acrescentam que, devido à situação, muitos pescadores foram forçados a abandonar a região de Quiterajo porque os militares que se faziam transportar numa embarcação motorizada estavam a fazer manobras ao longo do mar. (Carta)





