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7 de July, 2025

Índice de risco sistémico do Banco Central agravou-se em Moçambique

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O índice de risco sistémico do sector financeiro moçambicano agravou-se, mas se mantém num patamar moderado, refere o mais recente Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Moçambique, a que “Carta” teve acesso.

“Em Dezembro de 2024, o índice de risco sistémico fixou-se em 35,42%, o que representa um agravamento de 3,13 pp [pontos percentuais] comparativamente ao período homólogo de 2023 [32,29%], tendo permanecido no nível moderado”, diz o relatório.

Num comentário a estes dados, contido no sumário executivo da análise, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, diz: “o risco sistémico permanece no nível moderado e este comportamento foi influenciado pela manutenção dos riscos soberano, de crédito, de liquidez e de rendibilidade e solvência”. Zandamela avança que, contrariamente a esta tendência, registou-se o agravamento do risco macroeconómico e a redução do risco de mercado.

No tópico sobre nível de concentração bancária, é mencionado que, em Dezembro de 2024, os três bancos domésticos de importância sistemática, designadamente BCI, Standard Bank e BIM, representavam, conjuntamente 59,85%, 64,03% e 54,49% dos activos, depósitos e crédito do sector bancário, respectivamente, contra 60,78%, 66,16% e 54,37%, observados em igual período de 2023.

O índice de Herfindahl-Hirschman – que avalia o grau de concorrência – manteve-se no nível moderado de concentração, tendo-se fixado em 1.378, 1.597 e 1.368 pontos para os activos, depósitos e crédito, respectivamente, refere-se no documento.

“Nos últimos anos, com excepção do crédito, este indicador tem demonstrado uma tendência decrescente, revelando dinamismo e competição no sector, onde se verifica a conquista do mercado por parte de alguns bancos não sistémicos”, pode ler-se.

NPL acima do limite máximo

Sobre o crédito mal-parado (NPL, na sigla inglesa), o relatório diz que o rácio deste indicador fixou-se em 9,32% em 2024, acima dos 8,23% registados no mesmo período de 2023, e continua a ultrapassar o limite máximo tolerado, de 5,0%.

O montante total de crédito em incumprimento atingiu 30,41 mil milhões de meticais, face aos 26,50 mil milhões registados no período homólogo de 2023, o que representa um aumento de 12,88%. O fenómeno é particularmente visível nos bancos de importância sistémica (D-SIBs).

Por outro lado, o rácio de cobertura dos NPL tem vindo a apresentar uma tendência de redução gradual ao longo do tempo. O agravamento do crédito em incumprimento “reflecte uma deterioração da qualidade da carteira de crédito e a mudança da tendência registada nos anos anteriores”, refere-se no documento.

Os sectores da agricultura, transportes e comunicações e comércio concentram os maiores níveis de incumprimento. Em Dezembro de 2024, os rácios de crédito mal-parado nestes sectores situaram-se em 16,14%, 14,27% e 11,02%, respectivamente. Estes valores reflectem, em parte, o impacto dos choques climáticos, que afectaram, negativamente, estas áreas da actividade económica.

Sobre a adequação de capital, o relatório realça que os três bancos de importância sistémica continuam a observar os requisitos mínimos regulatórios para os principais rácios. “Com efeito, o rácio de solvabilidade global situou-se em 27,28% (27,39% em Dezembro de 2023) e o rácio Tier I fixou-se em 28,36% (28,32% em Dezembro de 2023), mostrando robustez sob ponto de vista de capital”, diz o texto.

A qualidade dos activos dos D-SIBs permaneceu estável e acima da média do sistema.  Em Dezembro de 2024, os resultados líquidos das referidas três instituições reduziram-se em 31,94% comparativamente ao período homólogo do ano anterior, invertendo a tendência crescente verificada nos anos anteriores.

“Este desempenho resulta, por um lado, do aumento dos custos operacionais, com destaque para os gastos com pessoal, e, por outro, da redução de outros resultados de exploração, reflectindo o aumento das perdas por imparidade”, assinala o relatório.

No período em análise, os resultados líquidos fixaram-se em 15,48 mil milhões de meticais, o que representa 66,63% dos resultados totais do sector bancário. Em Dezembro de 2024, os depósitos de clientes continuaram expressivos, mantendo a tendência crescente.

Com efeito, os mesmos ascenderam a 453,76 mil milhões de meticais, contra 413,30 mil milhões de meticais registados no período homólogo de 2023. Destes, 227,2 mil milhões de meticais correspondem aos depósitos à ordem, representando 50,07% e 32,06%, do total dos bancos de importância sistémica e do sector bancário, respectivamente. (José Machicane)

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