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22 de June, 2025

PR abre-se aos jornalistas e garante não sofrer pressão. “Estou super a vontade”

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O Presidente da República, Daniel Chapo, abriu as portas do seu Gabinete de Trabalho, este domingo, para uma conversa longa e aberta com os jornalistas, no âmbito da comemoração dos 50 anos da independência nacional, que se assinalam esta quarta-feira, 25 de Junho de 2025.

Em quase 1h40m, Daniel Francisco Chapo fez o balanço dos seus cinco meses de governação e voltou a partilhar a sua visão sobre os passos que Moçambique deve dar para a almejada “independência económica”, defendendo a aplicação das receitas geradas pela indústria extrativa nos sectores da agricultura, indústria, turismo, energia e infra-estruturas, como forma de se diversificar a economia, com a finalidade de evitar a dependência do país ao sector extrativo.

“O maior desafio que temos, neste momento, é a economia. (…) Os recursos que temos, a nível do cofre do Estado, são provenientes, na sua maioria, da indústria extrativa e uma das estratégias para dinamizar a economia, para além de criar condições para atração do investimento nacional e estrangeiros em vários sectores, é preciso diversificarmos a nossa economia e isso faz-se olhando para esses recursos da indústria extrativa e investir nas áreas de concentração do Governo moçambicano, nomeadamente, a agricultura, indústria, infra-estruturas, turismo e energia”, afirmou.

Na sua interação com os jornalistas, o Chefe de Estado garantiu não estar a sofrer qualquer tipo de pressão, seja política ou económica, e que está “super a vontade” para trabalhar, sobretudo, no combate a corrupção, que flagela a sociedade e corrói as finanças públicas.

“Estou super a vontade, porque esta é a missão: combater a corrupção. A corrupção é um mal que afecta e infecta a sociedade e é uma das barreiras para o desenvolvimento, porque faz perder, a sociedade, confiança às instituições do Estado e a confiança às instituições do Estado é extremamente importante para o desenvolvimento de um país”, afirmou.

Aliás, momentos antes de garantir que não estava sofrendo qualquer pressão, Daniel Chapo havia assegurado que “há condições e coragem mais que suficiente para fazer diferente e obter resultados diferentes”, tal como defende o lema de governação.

“Se reparares, desde a independência nacional, a nível da Presidência, nunca tivemos um Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos. Este é o primeiro sinal de um fazer diferente para obter resultados diferentes”, disse o Estadista, explicando que o órgão liderado por João Machatine tem a responsabilidade de fazer uma reforma do Estado em todos sentidos, principalmente “à tudo aquilo que cria barreiras para o bom ambiente de negócios”.

Possibilidade de negociação com os terroristas

No entanto, reiterou que não há desenvolvimento sem paz e segurança, pelo que constitui a sua prioridade de governação, neste momento. Assegurou, novamente, que o terrorismo, que assola a província de Cabo Delgado desde Outubro de 2017, está controlado, admitindo a possibilidade de diálogo com os insurgentes, tal como se verificou com a Renamo, durante a guerra dos 16 anos.

“Em qualquer conflito no mundo é preciso continuar a batalhar no terreno, mas ao mesmo tempo encontrar linhas de diálogo. Foram cerca de 16 anos de guerra [civil], começamos por chamar bandidos armados, mas depois conseguimos perceber que há uma estrutura organizada e, quando há uma estrutura organizada, temos que perceber também que há motivações para que haja guerra ou uma situação relacionada com o terrorismo, que há lideranças, há logística. Então, estamos a trabalhar usando as duas vias, uma combatendo no terreno para que as nossas populações não sejam atacadas, mas outra é tentar perceber essa estrutura, como fizemos com a própria Renamo”, explicou.

Na longa entrevista, Chapo negou ainda haver dívidas com as tropas do Ruanda, devido a sua intervenção em Cabo Delgado e que a informação publicada pelo Africa Intelligence e republicada pela “Carta”, dando conta de dívidas não pagas àquele exército no valor entre 2 a 4 milhões de USD por mês. O valor, diz a publicação, não é pago desde Agosto de 2024. “Havia um mal-entendido e este mal-entendido ficou esclarecido, tanto por nossa parte (de Moçambique), como do Ruanda”, disse, não avançando datas para a saída das tropas do Ruanda e da Tanzânia (que controlam a linha de fronteira) de Cabo Delgado.

“Vai depender muito da evolução do fogo porque a evolução do fogo é imprevisível, porque há momentos em que os ataques abrandam e fica-se com a sensação de que está tudo sob controlo, enquanto o inimigo está a preparar-se e, às vezes, todos temos acompanhado o recrudescimento dos ataques. Vai depender muito disso para tomarmos a decisão sobre esse aspecto”, sublinhou.

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