Segundo o despacho da instrução preparatória da acusação contra Amade Abubakar, emitido pelo Tribunal Judicial do Distrito de Macomia, há fortes indícios de o jornalista ter estado envolvido na prática do crime de que vem sendo acusado, pois nos autos consta uma lista nominal de jovens que operam em conexão com os ditos Al-Shabab. A acusação refere que o jornalista não foi capaz de explicar com clareza por que razão era portador de tal lista, depreendendo-se que os trabalhos por ele exercidos não eram do conhecimento do seu superior hierárquico, o que reforça as suspeitas que pesam sobre si.
A cópia da acusação, na posse da “Carta”, diz que “não restam dúvida do seu envolvimento nos crimes de que vem indiciado, de Violação de Segredo do Estado por meios informáticos e instigação pública a um crime com uso de meios informáticos, previstos e punidos nos termos dos artigos 322 e 323, todos do Código Penal”. A defesa do jornalista elaborou já uma petição ao tribunal (de liberdade provisória mediante caução) para que o mesmo aguardasse os próximos passos do processo em liberdade, sobre a qual recaiu um despacho desfavorável.
O argumento segundo o qual Abubakar não tinha cometido qualquer tipo de delito, que possui bons antecedentes, profissão definida, era funcionário do Estado, tinha residência fixa, era pai de quatro filhos e esposo exemplar foi esgrimido pelo advogado Augusto Messariamba, contudo não foram suficientes para demover o juiz da decisão de o prender preventivamente. A prisão do jornalista foi decretada porque, segundo o juiz, verificou-se haver fortes indícios de o mesmo ter cometido o crime de que vem sendo acusado, e há receio de que, uma vez em liberdade, possa continuar a praticar o acto criminoso e a “perigar a paz social”. Deste modo, Abubakar aguarda a tramitação do processo na Penitenciária Distrital de Macomia. (S.R.)





