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Actualizado de Segunda a Sexta

15 de July, 2019

Cerca de 86 por cento da terra arável continua ociosa no país, garante Embaixador da Argentina

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Apenas cinco milhões de hectares da terra arável, em Moçambique, encontram-se ocupados, num universo de 35 milhões de hectares existentes com estas características, representando uma taxa de aproveitamento de 14 por cento.

 

O dado foi revelado, última quinta-feira, pelo Embaixador da Argentina, Federico Beltran, durante a sua apresentação no Simpósio sobre Estratégias para o Desenvolvimento Integrado das Zonas Áridas e Semi-Áridas, organizado pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), em Maputo.

 

Falando sobre o “Desenvolvimento da agricultura e da pecuária em zonas áridas e semi-áridas”, o diplomata revelou, entretanto, que o seu país, com os mesmos 35 milhões de hectares de terra arável, tem 92 por cento desta ocupada (32.200 mil hectares), apesar de 70 por cento desta terra (arável) encontrar-se em zonas áridas e semi-áridas, correspondente a 24.500 mil hectares.

 

Segundo Beltran, uma das formas de aproveitamento de zonas áridas e semi-áridas, no nosso país, é a prática da “Semeadura directa”, uma técnica de cultivo sem alteração do solo pela aragem, que permitiu aquele país da América Latina cobrir os quase 32.200 mil hectares de terra arável. A técnica, que aumenta a retenção de matéria orgânica e a conservação de nutrientes no solo, explica a fonte, permitiu a Argentina evoluir de 980 kg de grãos per capita, em 1970, para 1.218 kg, em 1990.

 

“Isso não se deve apenas à Semeadura Directa, mas a uma série de factores tecnológicos e sócio-políticos, que levaram a uma profunda mudança no sistema produtivo, em que a tecnologia e sua correcta aplicação desempenham um papel importante”, acrescentou.

 

“O conceito chave é adaptar a tecnologia ao solo e não o solo à tecnologia”, sentenciou o diplomata, sublinhando que, para além do seu país, a técnica foi também introduzida na África do Sul, em 2011, e tem produzido bons resultados na produção do milho, soja, entre outras culturas.

 

No entender daquele diplomata, não faz sentido que Moçambique continue a exportar 90 por cento de trigo, tendo em conta o alto potencial agrícola que o país possui. (Marta Afonso)

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