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18 de May, 2021

Que futuro para o gás de Cabo Delgado? Mais gás apenas em troca de mais ciclones

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As empresas globais de gás irão avançar em Moçambique apenas se houver acordo para permitir que as temperaturas globais subam o suficiente para que a crise climática global seja muito pior. Isso significaria um mercado contínuo de gás, mas mais ciclones, cheias e secas mais graves em Moçambique. É uma barganha faustiana, ganhar bilhões de dólares, mas sofrer grandes danos. Moçambique tem pouco a dizer neste negócio, porque será decidido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26) em novembro deste ano em Glasgow e em conferências internacionais subsequentes.

 

A questão é se há um acordo para limitar o aquecimento global a 1,5º centígrado acima dos níveis pré-industriais. Moçambique já está sofrendo os efeitos das mudanças climáticas, incluindo ciclones piores devido ao aumento da temperatura do mar. Mas uma tampa de 1,5ºc limitaria mais danos. As empresas de gás e os países produtores de gás estão assumindo que o limite será de 2º, o que causaria grandes danos adicionais.

 

As companhias de gás aceitam que se 1,5º é o limite, então deve haver grandes cortes no consumo de gás e não haverá mercado para novos campos de gás, incluindo os de Moçambique. Mas se o limite for de 2º, o mercado seria enorme, inclusive para o gás de Cabo Delgado. Uma batalha internacional continuará sobre o limite, mas quando a Total e a Exxon tiverem que tomar decisões em dois anos, deverá ficar mais claro se Moçambique terá mais ciclones e mais dinheiro. Por enquanto, ninguém sabe. (J.H.)

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