A modernização dos órgãos de comunicação social, assente na transformação digital, é apontada pelo Gabinete de Informação (GABINFO) como condição essencial para tornar a comunicação pública mais eficiente, inclusiva e capaz de responder às novas exigências dos cidadãos.
A aposta foi defendida esta quarta-feira (03) pelo director do GABINFO, Luís Canhemba, na abertura do V Conselho Coordenador da instituição, que decorre até hoje, em Maputo, sob o lema “Por uma comunicação pública sustentável, resiliente e moderna na era da transformação digital”.
Para Canhemba, a modernização do sector deixou de ser uma opção para passar a constituir uma necessidade urgente, sobretudo perante a rápida evolução das tecnologias de informação e comunicação.
“O processo de transformação digital é uma necessidade. As nossas instituições devem adaptar-se e assumir que comunicar melhor e com responsabilidade é urgente”, destacou.
O director do GABINFO defende que as instituições de comunicação social devem aproveitar as novas tecnologias para ampliar o alcance da informação e reduzir as desigualdades no acesso à comunicação, particularmente entre as populações que vivem fora dos grandes centros urbanos.
Segundo Canhemba, a distância geográfica já não pode justificar a exclusão de cidadãos do acesso à informação, tendo em conta os recursos tecnológicos actualmente disponíveis.
“Hoje não é concebível que um cidadão que esteja num local bastante recôndito não tenha informação. Temos as tecnologias e a capacidade humana para levar a comunicação até às zonas mais distantes”, afirmou.
A modernização pretendida deverá, por isso, combinar investimento tecnológico, capacidade humana e novas formas de produção e distribuição de conteúdos, de modo a aproximar os órgãos de comunicação das necessidades reais da população.
O V Conselho Coordenador pretende igualmente discutir mecanismos para fortalecer as instituições do sector e torná-las mais eficientes, modernas e preparadas para responder aos desafios da transformação digital.
Canhemba considera que cada instituição tem uma responsabilidade específica neste processo e deve contribuir para a construção de uma comunicação pública mais forte e funcional.
“Cada uma das instituições aqui presentes tem uma responsabilidade própria e uma contribuição insubstituível para a edificação de uma comunicação governamental mais forte e mais eficiente”, sublinhou.
A modernização deverá também permitir que a comunicação pública seja mais próxima, transparente e acessível, reforçando a relação entre as instituições do Estado e os cidadãos.
Um dos principais desafios identificados pelo GABINFO é garantir que a modernização não se limite aos centros urbanos. A expansão dos meios digitais deverá contribuir para levar informação às zonas rurais e às comunidades mais distantes.
A preocupação surge num contexto em que o acesso desigual à informação continua a constituir um obstáculo à participação dos cidadãos na vida pública.
Para Canhemba, a comunicação pública deve acompanhar a transformação tecnológica sem deixar para trás aqueles que ainda enfrentam limitações no acesso aos meios de informação.
Embora a transformação digital abra novas possibilidades para o sector, também cria novos riscos. Entre eles está a disseminação de informação falsa, que, segundo o director do GABINFO, tem afectado a confiança dos cidadãos nas instituições.
O combate às “fake news” constitui, por isso, outro dos temas em discussão no Conselho Coordenador.
“Este Conselho Coordenador deve pensar como podemos contornar a questão da desinformação, sobretudo num contexto em que ela se tornou insuportável para os cidadãos”, alertou.
A aposta numa comunicação pública moderna deverá, assim, ser acompanhada pelo reforço da responsabilidade, da transparência e da qualidade da informação disponibilizada aos cidadãos.
“Acreditamos que uma boa comunicação institucional contribui para fortalecer a confiança entre o Estado e o cidadão. Comunicar com verdade, oportunidade e responsabilidade tornou-se uma dimensão essencial do serviço público”, sublinhou.
Canhemba reforçou esta perspectiva, defendendo que a comunicação pública deve acompanhar a própria transformação do Estado e das suas instituições.
“Um governo que trabalha para transformar a vida dos cidadãos deve ser também capaz de comunicar de forma clara, transparente e acessível”, destacou.
O V Conselho Coordenador do GABINFO surge, deste modo, como espaço para discutir caminhos de modernização do sector, com enfoque na transformação digital, no fortalecimento institucional e na criação de uma comunicação pública mais inclusiva e resiliente.





