O número de casos diagnosticados de tuberculose em Moçambique baixou, devido ao corte do financiamento externo à área da Saúde, disse a chefe do Programa Nacional de Controlo da Tuberculose, Benedita José.
José, que falava na quarta-feira (25), afirmou que, anualmente, o país regista 100 mil casos diagnosticados.
Muitos agentes envolvidos na prestação de serviços dependiam desse financiamento, o que resultou numa diminuição da capacidade de diagnóstico. Em 2023, o país registava cerca de 116 mil casos diagnosticados de tuberculose.
Posteriormente, verificou-se uma redução de aproximadamente 9%. As autoridades consideram, no entanto, que esta descida não reflecte necessariamente uma melhoria da situação epidemiológica, mas sim limitações na detecção de novos casos.
Apesar de a tuberculose em crianças continuar a ser motivo de preocupação, as formas mais graves da doença são mais frequentes em adultos, de acordo com o Ministério da Saúde. Dados indicam que cerca de 11% dos casos diagnosticados correspondem a menores de 15 anos, sendo menos de 5% em crianças com menos de cinco anos.
Benedita explica que estes números sugerem uma redução da transmissão primária no país. No entanto, observa-se uma tendência crescente de reactivação da doença na idade adulta, o que reforça a necessidade de alargar as estratégias de combate, para além do grupo infantil, com vista a interromper a cadeia de transmissão.
O Governo mantém o objectivo de eliminar a tuberculose até 2030. Para alcançar essa meta, o ministro da Saúde, Ussene Isse, defende a aposta na inovação, na investigação científica e na melhoria da coordenação entre os diferentes intervenientes do sector.
A investigação é apontada como um dos pilares fundamentais no controlo da doença. As autoridades sublinham que a definição de políticas eficazes e a revisão de esquemas terapêuticos devem basear-se em evidência científica sólida.
Historicamente, as províncias de Gaza e Inhambane registam o maior número de casos de tuberculose. No entanto, dados mais recentes indicam um aumento significativo nas províncias da Zambézia e Nampula.





