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29 de September, 2026

Xenofobia: três meses depois, movimento anti-imigração lança novos protestos na África do Sul

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O movimento anti-imigração “March and March” confirmou o regresso aos protestos em massa amanhã (30), na África do Sul, em mais uma vaga que poderá resultar em tumultos e possíveis mortes. Esta data foi estabelecida pelo grupo como um novo ultimato para que todos os imigrantes em situação irregular abandonem o país. Estão planeadas manifestações nas principais cidades do país, incluindo Johanesburgo, Pretória, Durban e Cidade do Cabo.

A organização declarou esperar a mobilização de até 1,5 milhões de pessoas nesta nova vaga de protestos. Além da forte oposição à imigração ilegal, o movimento incluiu nas reivindicações o combate à criminalidade e à violência de género (femicídio) no país. O grupo adicionou os recentes assassinatos de 12 mulheres à sua crescente lista de chamadas à acção, para que todos os homens marchem contra a violência de género.

“Convocamos todos os homens sul-africanos a saírem às ruas para falarem numa só voz e recuperarem a nossa sociedade das mãos dos criminosos. Nós fazemos parte do problema e precisamos resolvê-lo”, disse o grupo.

Em concreto, 30 de Setembro não será apenas dia de protesto nacional contra a imigração ilegal, mas também de marcha dos Homens contra a Violência de Género e o Crime. A manifestação de amanhã surge três meses após o primeiro prazo estipulado pelo grupo (30 de Junho), que resultou em tensões, encerramento do comércio e mais de 900 detenções a nível nacional.

O clima actual é de grande apreensão entre as comunidades de refugiados e trabalhadores migrantes de países africanos, como Nigéria, Moçambique, Zimbabwe, Malawi e República Democrática do Congo, com vários sindicatos e associações a recomendar vigilância máxima e que se evitem distúrbios nas zonas da manifestação.

O novo prazo, arbitrário e sem o apoio de nenhum canal oficial do governo, reacendeu os temores de violência xenófoba contra trabalhadores estrangeiros na África do Sul. Manifestações esporádicas contra imigrantes têm ocorrido quase semanalmente desde os protestos de 30 de junho, algumas das quais se tornaram violentas.

Antes do prazo de 30 de Junho, foram alocados 600 milhões de Rands para operações de manutenção da paz. No entanto, apenas 306 milhões foram gastos. Embora as grandes perturbações previstas para o dia não se tenham materializado, houve danos humanos e materiais e empresas foram afectadas.

Os relatos apontaram para pelo menos uma morte ligada aos protestos, centenas de prisões e milhões de rands em prejuízos comerciais — embora em grande parte restritos à economia dos bairros periféricos.

Presidente Cyril Ramaphosa apela à união

Enquanto os manifestantes se preparam para mais um dia de marchas em todo o país, o presidente Cyril Ramaphosa fez um apelo à calma e à união. Em sua carta semanal à nação, o Presidente abordou tanto as crescentes tensões contra estrangeiros quanto o aumento da violência de género, demonstrado pelos assassinatos recentes.

“Não podemos permitir que a violência contra as mulheres defina quem somos”, disse. “O abuso, o estupro e o assassinato de mulheres são uma mancha em nossa consciência nacional. Não podemos afirmar ser uma sociedade fundada na liberdade, igualdade e dignidade humana enquanto metade da nossa população vive com medo da violência”, acrescentou.

Em relação à crescente percepção de hostilidade da África do Sul para com os estrangeiros, o presidente afirmou que o país se recusa a ser “definido pela xenofobia e intolerância”. “O povo da África ofereceu apoio moral e material à nossa luta de libertação e à nossa democracia. A África do Sul democrática permanece comprometida com o avanço dos ideais de unidade e integração africanas”, sublinhou.

No entanto, ele enfatizou que a migração deve ocorrer dentro da lei. “O governo tem a responsabilidade de gerir as nossas fronteiras de forma eficaz, e todos os que vivem na África do Sul são obrigados a respeitar as nossas leis”.

A líder da “March and March”, Jacinta Ngobese-Zuma, também se manifestou contra a caracterização das marchas como xenófobas. Em vez disso, ela direccionou a questão para outros países africanos. Ngobese-Zuma alegou que a África do Sul “está a desintegrar-se” e não possui recursos suficientes para cuidar de todos.

“Não temos escolas, hospitais e edifícios suficientes, mas acabamos tendo que arcar com o fardo de toda a África”, disse, defendendo que, “em vez de rotular tudo como xenofobia, já é hora de os líderes africanos terem uma conversa séria, que é: ‘por que o nosso povo está a migrar em massa para a África do Sul?’”

Ngobese-Zuma afirmou que, após essa conversa, outros países africanos deveriam se empenhar em trazer os seus cidadãos de volta para casa. “Então poderemos nos concentrar em construir o que já temos aqui”, concluiu.

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