O Arcebispo de Maputo e vice-presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom João Carlos, exige um esclarecimento rápido sobre a morte do bispo de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, morto a tiro na sua residência, em Quelimane, no dia 6 de Junho.
Em entrevista à AIM, o prelado defendeu que a investigação deve chegar à verdade para travar especulações. “É a tal verdade que nós queremos. O que é que se passou, efectivamente, ali naquela casa, naquele dia”, afirmou Dom João Carlos, sublinhando que a Igreja Católica aguarda pelos resultados da investigação.
Dom Osório Citora Afonso, de 54 anos, foi morto por disparo de arma de fogo na residência episcopal, em circunstâncias que continuam sob investigação. O facto de o crime ter ocorrido dentro da própria casa é apontado por Dom João como um dos aspectos que tornam o caso preocupante. “Se fosse na estrada, a gente poderia olhar de outro modo. Mas agora, mesmo na própria casa, foi ali, há uma arma, houve um disparo”, disse.
Segundo o arcebispo, desde a ocorrência foram apreendidos materiais que poderão ajudar a esclarecer o sucedido, incluindo telefones celulares e computadores. A Igreja, acrescentou, reconhece que a investigação exige o seu tempo, mas considera importante que os resultados sejam conhecidos.
“Quanto mais tempo se leva, maior é o risco de surgirem especulações”, advertiu, defendendo que os elementos recolhidos pelas autoridades devem contribuir para esclarecer o que aconteceu na residência do bispo.
Dom João Carlos Hatoa Nunes é Arcebispo de Maputo e vice-presidente da CEM, organismo que congrega os bispos católicos de Moçambique e coordena a actuação da Igreja Católica em Moçambique.
Na sequência da morte de Dom Osório, assumiu, juntamente com membros da hierarquia católica, a defesa de um esclarecimento transparente do caso e a necessidade de preservar a confiança dos fiéis.
A morte de Dom Osório abalou a Igreja Católica em Moçambique, sobretudo por ter ocorrido num espaço considerado seguro. O bispo era também Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira e secretário-geral da CEM.

