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4 de September, 2026

Ataques terroristas: insurgentes assaltam complexo turístico no Niassa

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Em mais uma investida terrorista, os insurgentes queimaram ontem (03) os acampamentos da Mozambique Wild Adventures (MWA na sigla em inglês) na zona tampão da Reserva Especial do Niassa, distrito de Marrupa, de que o treinador luso-moçambicano, Carlos Queiroz, é um dos proprietários.

Durante o ataque, o grupo armado incendiou todas as instalações do lodge e roubou 15 viaturas da Coutada de Marangira. Até agora não há relatos sobre vítimas mortais, mas cerca de 15 funcionários do complexo puseram-se em fuga.

A concessão da coutada de Marangira fica a norte de Marrupa, junto ao limite sul da Reserva Especial do Niassa.

Segundo fontes seguras, os insurgentes destruíram as antenas de telefonia móvel na manhã da quinta-feira (03) para depois protagonizar os assaltos e destruição.

A Coutada de Marangira tem um alojamento Main Camp/Tented Safari Camp que foi completamente destruído.

A área atacada insere-se num espaço de com cerca de dez mil metros quadrados, um investimento na ordem de três milhões de euros que apoia aldeias e populações nesta reserva turística de cerca de 300 mil hectares.

Carlos Queiroz, nascido em Nampula, é treinador de futebol e também operador turístico ligado à Mozambique Wild Adventures na região do Niassa.

Neste momento, as Forças de Defesa e Segurança e fiscais da Reserva Especial do Niassa continuam no terreno a perseguir os insurgentes.

Recorde-se que, no ano passado, um grupo terrorista invadiu a área de caça de Kambako, na reserva do Niassa, no limite entre as províncias do Niassa e Cabo Delgado, e fez um número não especificado de reféns.

Kambako é uma das áreas de caça da Reserva Especial do Niassa, mas territorialmente está localizada em Cabo Delgado, não muito longe dos distritos de Meluco, Montepuez e Mueda.

O ataque, atribuído aos terroristas que actuam em vários distritos de Cabo Delgado, ocorreu em 19 de Abril. O acampamento fica no limite entre as duas províncias, nas margens do rio Lugenda, um importante afluente do Rovuma.

A Reserva Especial do Niassa contém seis áreas de caça geridas por empresas privadas. A Kambako é uma das maiores operadoras de caça em Moçambique. Na altura, foi reportado que a incursão poderia levar ao cancelamento de reservas de turistas de safari, não só para as áreas de caça no Niassa, mas também para outras zonas de caça em Moçambique, o que seria um desastre para as empresas e para os seus funcionários.

“Carta de Moçambique” reportou a propósito que, além de gerar receitas fiscais muito necessárias, a indústria da caça, que tem um volume de negócios superior a dez milhões de dólares por ano, também proporciona segurança privada para a reserva do Niassa.

Os caçadores ilegais que tentam chegar à reserva para caçar furtivamente a sua rica vida selvagem têm primeiro de passar pelos blocos de caça e pelos guardas de segurança que os rodeiam.

 

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