Encerrou, na noite deste domingo, a 11ª Conferência Nacional de Quados da Frelimo, que decorria desde sexta-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica. No fecho do evento, o Presidente do partido no poder, Daniel Chapo, defendeu que a sua formação política abre, a partir da “cabeça do velho”, uma nova era, em que o crime não será tolerado no seio dos “camaradas”.
“Nesta nova Era, queremos que cada um pague pelos crimes que cometer, sem relacioná-los com a Frelimo. Sem entrarmos na dita caça às bruxas, queremos deixar claro que continuaremos a ser implacáveis contra a corrupção, tráfico de drogas, branqueamento de capitais, raptos e todo o tipo de crime”, afirmou.
Segundo Daniel Francisco Chapo, alguns delegados e convidados à Conferência de Quadros sinalizaram, com muita preocupação e tristeza, que alguns membros da Frelimo têm sido associados a práticas negativas que “mancham a imagem e reputação” do partido. Porém, diz ele, a Frelimo é uma “árvore boa”, regada pelo sangue dos antigos combatentes e que produz bons frutos, pelo que a árvore será abandada até que a fruta podre caia.
“Como nos ensinam as sagradas escrituras, «a qualidade da árvore é conhecida pelos seus frutos». Isto quer dizer que, se alguns membros da Frelimo são conotados como sendo indivíduos ligados ao mundo da criminalidade ou corrupção, a sociedade pode ser induzida a associar o nosso Partido Frelimo ao comportamento desviante de um punhado de indivíduos, que não representa os valores, princípios e a linha de orientação da nossa gloriosa Frelimo.”
“E nós não aceitamos isso porque a Frelimo é uma árvore boa, regada pelo sangue dos valentes libertadores desta nação, Veteranos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, cujo legado até hoje carregamos com vista a trazermos a nossa independência económica. Portanto, se nesta árvore houver algum fruto podre, abanaremos a árvore até que o fruto caia antes que contamine os frutos bons, que são muitos na Frelimo”, defendeu.
“Na Frelimo não queremos corruptos. Na Frelimo não há lugar para ladrões. Na Frelimo não queremos traficantes de drogas. Na Frelimo não há plateia para lambe-botas. Porque a Frelimo não é santuário de criminosos. (…) Na Frelimo não há espaço para aqueles que usam o poder que lhes é conferido pelo partido e pelo povo, para sugar o sangue do povo e até humilhar os camaradas e o mesmo povo que nos confiou. Resumidamente, ide às comunidades para anunciar que a partir de hoje inicia uma Nova Era, uma Era de Renovação a partir de dentro da própria Frelimo”, atirou Daniel Chapo para o “gáudio” dos delegados e convidados à reunião.
No seu discurso de quase uma hora, interrompido diversas vezes por aplausos, Chapo disse também que apelou aos membros a não embarcarem em falsas acusações ou em denúncias “só para denegrir o bom nome de cidadãos honestos e trabalhadores”. “Ficou claro aqui nesta conferência que os cidadãos moçambicanos têm o direito de prosperar, o cidadão moçambicano tem o direito de ficar rico, desde que seja na base do trabalho lícito, honesto, íntegro e produtivo”, defendeu.
Refira-se que a 11ª Conferência Nacional de Quadros reuniu 3.000 pessoas, entre delegados (2.600) e convidados (400), incluindo representantes da ZANU PF, do Zimbabwe; do MPLA de Angola; da SWAPO, da Namíbia; e do Chama Cha Mapinduzi, da Tanzânia.
Chapo diz que o encontro aprofundou as contribuições resultantes das reuniões gerais das células e das conferências do partido; enriqueceu as linhas gerais para a elaboração da Proposta de Teses do 13º Congresso; e sistematizou as recomendações que servirão de referência na formulação das políticas e estratégias de desenvolvimento do país.
Hoje, decorre a reunião da Comissão Política e na quarta-feira, terá lugar o Comité Central Extraordinário, que deverá ratificar as recomendações da Reunião de Quadros e convocar o 13º Congresso do partido no poder.





