*O Presidente da República e Presidente da FRELIMO detalhou, na abertura do encontro, o conteúdo político e económico de “vamos trabalhar”, “independência económica” e “fazer diferente para alcançar resultados diferentes”. Duas das formulações usadas retomam, quase à letra, passagens do livro “Renovar Moçambique”.
O Presidente da República e Presidente da FRELIMO, Daniel Francisco Chapo, explicou esta sexta-feira, em Chimoio, o sentido político e económico dos três lemas que têm marcado a sua governação. A intervenção teve lugar na abertura da 11.ª Conferência Nacional de Quadros do partido, que decorre na capital da província de Manica até domingo.
“O povo é o ponto de partida e de chegada. A FRELIMO é o povo”, afirmou o Chefe do Estado perante os delegados.
Ao desenvolver o lema “vamos trabalhar”, o Presidente associou a expressão à disciplina colectiva, à responsabilidade institucional e ao compromisso com resultados concretos. O apelo foi dirigido ao aparelho do Estado, ao sector privado, à juventude e às comunidades.
A formulação está desenvolvida em “Renovar Moçambique: Uma Nova Era, um Pacto com o Povo”, livro que o Presidente da FRELIMO publicou esta sexta-feira, com uma tiragem de 15 mil exemplares. Aí, o lema aparece associado a uma exigência de produtividade, e não apenas de esforço. “Não basta trabalharmos mais; precisamos de produzir mais e melhor com os recursos disponíveis”, escreve. E encerra a obra com o compromisso de “transformar os nossos recursos em riqueza real, fazendo com que a produção se converta em prosperidade para o nosso povo”.
Sobre a “independência económica”, Daniel Chapo apresentou-a como condição para consolidar a soberania nacional, o que passa pela redução das vulnerabilidades externas, pelo fortalecimento da produção interna e pela criação de bases mais sólidas para financiar o desenvolvimento do País.
Chapo delimita o conceito em dois sentidos. Pela negativa, afirma que a independência económica “não significa isolamento, muito menos a rejeição da cooperação internacional ou do investimento estrangeiro”, mas antes “a capacidade do país de participar activamente na economia global a partir de uma posição de autonomia, confiança e liberdade”. Pela positiva, sustenta que “ser economicamente independente não significa produzir internamente tudo aquilo de que o País necessita”, mas “desenvolver capacidade produtiva, tecnológica e financeira suficiente para escolher, em cada momento, o que devemos produzir, transformar, exportar ou importar”.
A sequência proposta é enunciada em cadeia: “Transformar recursos em produção. Transformar produção em indústria. Transformar indústria em emprego. Transformar emprego em rendimento. E transformar rendimento em bem-estar para as famílias moçambicanas.”
O terceiro lema, “fazer diferente para alcançar resultados diferentes”, foi apresentado como método de governação. “Fazer diferente exige preservar o que funciona, corrigir o que funciona mal e abandonar o que já não produz resultados”, declarou o Presidente em Chimoio. A frase reproduz, com alteração mínima, uma passagem do capítulo que o livro dedica ao tema.
Nesse capítulo, o Presidente da FRELIMO classifica a expressão como “um imperativo colectivo” e adverte contra a mudança aparente. “Não basta a simples substituição do habitual por novas práticas formais e superficiais. O risco do novo sem transformação efectiva, reduzido a mudanças cosméticas, conduz rapidamente ao descrédito”, lê-se. E acrescenta que “fazer diferente não significa apenas anunciar novas políticas; significa assegurar que as decisões tomadas produzam resultados mensuráveis na vida das populações”.
Sobre a renovação do próprio partido, Chapo afirmou que “a nossa história confere-nos experiência; o futuro exige-nos renovação”. A formulação consta igualmente do livro, no capítulo dedicado à natureza da FRELIMO.
Os três lemas formam, assim, um conjunto articulado: o primeiro mobiliza para a acção, o segundo estabelece o horizonte estratégico e o terceiro define o método.
A 11.ª Conferência Nacional de Quadros reúne em Chimoio cerca de três mil participantes, dos quais 2.600 delegados e 400 convidados, entre autoridades comunitárias, representantes de confissões religiosas e de organizações da sociedade civil, segundo dados avançados pela organização.
O encontro conclui um processo preparatório iniciado a 15 de Janeiro, que envolveu 459.833 reuniões gerais das células, com a participação de 5.630.938 membros, e 30.891 conferências dos comités de círculo, localidade, zona, distrito e província. Desse percurso resultaram uma síntese geral das contribuições e uma proposta de linhas gerais para as teses ao 13.º Congresso, os dois documentos em apreciação pelos delegados.
Os trabalhos decorrem até domingo, 23 de Agosto. As recomendações saídas da Conferência seguem para a IV Sessão Extraordinária do Comité Central, convocada para 26 de Agosto, à qual compete propor as teses ao 13.º Congresso e convocar o Congresso. (Carta)





