Moçambique assinala hoje, 10 de Abril, seis meses sem registo de raptos, um dado que começa a alterar a percepção de risco num dos pontos mais sensíveis da economia nacional. Depois de mais de uma década em que este tipo de crime condicionou decisões empresariais e fragilizou a confiança no Estado, a ausência prolongada de casos introduz um novo elemento no debate público: a possibilidade de estabilização num domínio onde a incerteza se tinha tornado regra.
A última referência oficial do Presidente Daniel Chapo apontava para cinco meses sem ocorrências, com o último caso registado em Outubro do ano passado. No discurso de investidura, o Chefe de Estado tinha colocado o combate à criminalidade organizada entre as prioridades do mandato, reconhecendo o impacto directo dos raptos sobre o ambiente de negócios e a imagem externa do país.
A leitura deste momento exige, no entanto, cautela. A história recente mostra que períodos de redução de ocorrências não significaram, necessariamente, resolução estrutural do problema. Ainda assim, a consistência destes meses sem registo de novos casos começa a produzir efeitos concretos, sobretudo ao nível da percepção. Empresários que haviam recuado por razões de segurança começam a reavaliar o país, num movimento discreto mas significativo.
Mais do que um dado policial, trata-se de um indicador com implicações económicas. A confiança não regressa por decreto, constrói-se por evidência. E, pela primeira vez em vários anos, começa a existir um elemento objectivo que permite discutir a segurança não apenas como problema crónico, mas como variável em mudança. Se esta tendência se consolidar, o impacto poderá estender-se para além da esfera criminal e influenciar directamente o ritmo de investimento e a dinâmica empresarial.




