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4 de September, 2025

Daniel Chapo defende desbloqueio de fronteiras e investimento em infra-estruturas para um comércio livre em África

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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defende o “desbloqueio” de fronteiras entre os países africanos e o investimento em infra-estruturas como forma de tornar real o sonho de se ter uma zona de comércio livre, em África, um acordo assinado em 2018 (e que junta 54 países africanos), cuja implementação ainda se revela um desafio.

O Chefe de Estado moçambicano partilhou esta visão, na tarde desta quinta-feira, em Argel, durante a sua intervenção na abertura da quarta edição da Feira do Comércio Intra-africano (IATF, sigla em inglês), que decorre de 04 a 10 de Setembro, na capital argelina.

Num evento que contou com a participação de cinco Chefes de Estado africanos, incluindo os moçambicano e argelino, Daniel Chapo disse que “precisamos desbloquear as fronteiras” porque, “no fundo, somos todos irmãos” e “as nossas fronteiras são artificiais”. Defende que, no modelo actual, as fronteiras africanas são burocráticas, o que as torna inflexíveis.

“A nível das fronteiras, a nossa cultura é a mesma, os apelidos são os mesmos, as línguas são as mesmas, o que demonstra, de forma inequívoca, que precisamos esquecer um pouco esta divisão político-administrativa e vermos o desenvolvimento integrado entre irmãos africanos”, acrescentou.

Como parte dessa visão, Chapo disse que o Governo está, neste momento, a trabalhar para a materialização da fronteira de paragem única. “Neste momento, estamos a trabalhar com o Afreximbank (Banco Africano de Exportação e Importação), com o Banco Africano de Desenvolvimento e o Africa50 para estabelecermos a primeira fronteira digitalizada de paragem única, que liga Moçambique à África do Sul”, revelou, garantindo que o projecto será replicado com o Zimbabwe e Tanzânia, com o objectivo único de tornar as fronteiras flexíveis no comércio intra-africano.

Para além do desbloqueio das fronteiras, o Chefe de Estado defende também a necessidade de se investir na construção de infra-estruturas, que dinamizam, de forma rápida e flexível, a logística para o comércio intra-africano. Assim, explica que Moçambique está a investir no desenvolvimento dos seus três principais corredores (de Nacala, Beira e Maputo).

“Estamos a trabalhar para melhorar a capacidade logística dos nossos portos, estradas e das nossas linhas férreas porque acreditamos que tudo o que estamos a falar aqui só será possível com infra-estruturas a nível do nosso continente”, disse, sublinhando ainda a necessidade de trabalhar para garantir uma maior concetividade aérea do continente.

“A nossa visão é desenvolver o transporte, não só terrestre, mas também aéreo. Tenho certeza absoluta que a maioria das pessoas que estão aqui, para chegar à Argel, tiveram de passar por outros continentes. Temos que trabalhar para que, a nível da ligação aérea, entre nós africanos, para chegarmos ao país vizinho africano, não precisemos de escalar aos outros continentes. Só assim é que vamos dinamizar o turismo africano, o comércio, a logística e desenvolvermos o nosso continente, sobretudo os nossos países”, enfatizou.

Chapo defendeu ainda a necessidade de o continente se unir e ser solidária, sobretudo no combate ao terrorismo, um dos males que afecta, por exemplo, o país. Por isso, entende que a quarta edição da IATF é bastante importante para Moçambique porque “prova que juntos somos mais fortes”.

“Há necessidade de nos unirmos como continente porque não há desenvolvimento sem paz e segurança. A paz e a segurança são aspectos fundamentais para o desenvolvimento dos nossos países e também dos continentes. Precisamos de continuar a ser solidários, tal como fomos durante a luta de libertação nacional”, disse o estadista moçambicano, citando, por exemplo, o apoio que a Argélia desempenhou na formação dos primeiros guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique, no âmbito da luta de libertação nacional.

Na sua intervenção de 15 minutos, Daniel Chapo disse também que o país está a trabalhar em projectos de produção de energia não só para abastecer o país, como também os países da região austral de África. Entre os projectos está o da reabilitação da central de produção de energia da HCB, o da construção da barragem hidroelétrica de Mphanda Nkuwa e o da Central Térmica de Temane.

“Este aumento da capacidade é para resolvermos não só os problemas de fornecimento de energia elétrica, em Moçambique, mas também aos nossos vizinhos da África Austral, pois, problemas africanos devem ter soluções africanas”, anotou, acrescentando a necessidade de se investir na industrialização do continente, sobretudo no financiamento às Pequenas e Médias Empresas.

“Devemos trabalhar na industrialização porque temos uma força jovem e nós achamos que, para criar emprego aos jovens, precisamos apostar na industrialização e, para isso, temos a agricultura como a base”, disse, defendendo ainda que as PME são as que mais dinamizam as economias africanas.

Refira-se que Chapo fez parte da mesa redonda presidencial da quarta edição do IATF 2025, no quadro da visita de trabalho de três dias que realiza à Argélia. Fizeram parte do encontro, para além de Chapo, os chefes de Estado da Argélia, Mauritânia, Tunísia e Chade. (A. Maolela, em Argel)

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