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30 de September, 2025

Armazéns de “madjôni djôni”: Cadeia de distribuição sul-africana Kawena sai de Moçambique

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A cadeia de distribuição de bens alimentares e outro tipo de produtos Kawena Distributors, muito usada por mineiros moçambicanos que trabalham na África do Sul, vai fechar as suas operações em Moçambique, devido às “devastadoras perdas financeiras causadas pelos tumultos e distúrbios” que afectaram o país após as eleições gerais de 18 de Outubro do ano passado, anunciou a companhia.

Num “aviso formal a colaboradores e clientes”, a firma, de capitais sul-africanos, avança que “ao longo dos últimos oito meses, a gestão trabalhou incansavelmente para salvaguardar o futuro da empresa” e manteve contactos, a vários níveis, incluindo com a Presidência da República, mas não conseguiu a recapitalização.

Além das perdas causadas durante as manifestações pós-eleitorais, a Kawena aponta ainda a falta de reembolso de IVA, há vários anos, como factor para a falta de liquidez necessária para manter a sua actividade em Moçambique.

“Apesar de todos os nossos esforços, não conseguimos garantir o investimento necessário para recapitalizar a empresa”, refere-se no aludido aviso.

A Kawena indica igualmente que a actual incerteza na economia moçambicana, agravada por uma das piores crises de liquidez da sua história, tornou impossível obter financiamento externo.

“Reconhecemos as dificuldades que esta notícia traz para os nossos colaboradores, mineiros e suas famílias. Tenham a certeza de que os administradores de recuperação continuarão a supervisionar um processo de encerramento ordenado, garantindo que todas as questões pendentes sejam tratadas de forma justa e transparente, em conformidade com a legislação sul-africana”, lê-se no referido texto.

Kawena Distributors assinala que este não era o desfecho desejado, mas não há condições para continuar a operar em Moçambique, agradecendo a confiança e resiliência demonstradas ao longo desta difícil jornada.

“A Kawena serviu com orgulho a comunidade mineira moçambicana durante mais de 35 anos e foi uma honra trilhar este caminho”, enfatiza-se no texto.

A Confederação das Associações Económicas (CTA) estima em 500 empresas vandalizadas durante os tumultos pós-eleitorais, tendo resultado na perda de 12 mil postos de trabalho.

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