A empresa italiana de energia ENI, que exporta gás natural liquefeito (GNL) do projecto Coral Sul, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, planeia destinar até três biliões de dólares americanos a empresas locais como parte das exigências de conteúdo local.
A ENI já opera a plataforma flutuante de GNL Coral Sul. A plataforma está ancorada a 50 quilómetros da costa do distrito de Palma, em Cabo Delgado. Fica a cerca de 200 quilómetros ao norte de Pemba, capital da província de Cabo Delgado. O projecto foi inaugurado oficialmente em 23 de Novembro de 2022 pelo então presidente Filipe Nyusi.
A ENI e seus parceiros aguardam a Decisão Final de Investimento (FID) para a implementação do projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Coral Norte, localizado na Área Quatro da Bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado. O projecto, orçado em mais de 7,2 biliões de dólares americanos, deverá produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de GNL por ano e 4.300 barris de condensado por dia durante cerca de 30 anos.
Segundo Fabrizio Russo, Director de Compras da ENI em Moçambique, entrevistado pela AIM, a ENI reservou até três biliões de dólares especificamente para conteúdo local. “Este é o plano e está totalmente garantido. Este montante foi alocado para empresas dentro do cronograma de implementação do projecto”, afirmou.
Segundo Russo, a estratégia vai além da simples atribuição de contratos. Visa também criar condições para que mais empresas moçambicanas entrem na cadeia de abastecimento da indústria do gás.
“O projecto Coral Norte atingiu 70% de conclusão e a produção está prevista para 2028. A ENI produz GNL em Moçambique desde 2022 através da unidade flutuante de GNL Coral Sul. A operação inicial, que gerou dúvidas no começo devido às condições climáticas e oceânicas da região, demonstrou a viabilidade da exploração de gás utilizando uma unidade flutuante em águas profundas. A empresa agora prepara-se para o lançamento do Coral Norte”, afirmou.
Russo observou que Coral Norte será uma versão aprimorada da primeira unidade, apresentando maior capacidade de produção e tecnologia mais avançada. “Com a nova plataforma, espera-se que Moçambique impulsione sua produção de GNL e capacidade de exportação, passando de aproximadamente 3,5% para 7% da produção global de GNL”, afirmou.
A ENI prevê que, com o projecto Coral Norte e outros, Moçambique se tornará um dos principais produtores e exportadores de GNL da África Subsaariana. “Em vez de grandes encontros onde muitas empresas têm espaço limitado para apresentar suas capacidades, a ENI oferece a oportunidade de reuniões individuais. Nessas reuniões, as empresas apresentam quem são, o que podem fazer e os serviços que podem prestar. Por sua vez, a ENI explica suas necessidades e busca identificar oportunidades de colaboração”, afirmou.
Com a publicação da legislação sobre conteúdo local em 2026, a empresa constatou que sua metodologia estava amplamente alinhada com o novo quadro legal. Um dos elementos destacados por Russo é a exigência de uma participação mínima de 20% de uma empresa ou cidadão moçambicano para que uma entidade seja elegível a certos benefícios associados ao conteúdo local.
Com a Coral Norte em construção, uma terceira unidade FLNG em fase de planeamento e uma cadeia de suprimentos que a ENI pretende expandir, o desafio agora reside em transformar os grandes investimentos no sector de gás em oportunidades duradouras para as empresas nacionais.





