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9 de September, 2026

CTA quer tirar carga das estradas e levar mais mercadorias para o mar

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A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defende uma mudança profunda na matriz de transporte de mercadorias do país, apostando na cabotagem marítima como alternativa para reduzir os elevados custos logísticos, aproximar economicamente as regiões e tornar mais eficiente a circulação de bens entre o norte, centro e sul.

A posição foi apresentada pelo Presidente do Pelouro de Infra-estruturas da CTA, António Souza, durante o seminário “Do Asfalto ao Mar: Cabotagem, Competitividade e Transformação da Logística Nacional”, organizado pelo Instituto Nacional de Transportes Marítimos (ITRANSMAR, IP), à margem da 61.ª edição da FACIM.

O encontro colocou em debate o potencial do transporte marítimo de cabotagem para diversificar as opções de movimentação de mercadorias em Moçambique, num contexto em que o transporte rodoviário de longa distância continua a assumir um peso significativo na ligação entre as diferentes regiões do país.

Durante o seminário, os participantes defenderam que o desenvolvimento de uma rede de cabotagem marítima poderá reduzir a pressão sobre o transporte rodoviário e os custos associados às longas distâncias percorridas pelas mercadorias.

A criação de ligações marítimas regulares entre diferentes pontos do território poderá igualmente reforçar a integração económica nacional, facilitando a circulação de bens entre o norte, centro e sul do país.

Para os participantes, o objectivo deve ser a construção de uma rede de transporte marítimo de carga previsível, regular, eficiente e economicamente viável, capaz de responder às necessidades do sector privado e aumentar a competitividade da economia.

A aposta na cabotagem é vista, assim, como uma oportunidade para transformar o mar numa componente estratégica da logística nacional, reduzindo a dependência exclusiva das estradas para o transporte de mercadorias.

Para que a cabotagem se torne uma alternativa efectiva, os participantes identificaram um conjunto de medidas consideradas prioritárias. Entre elas está a necessidade de uma regulamentação eficiente da cabotagem marítima, assente em regras claras, estáveis e previsíveis para os operadores.

Foi igualmente destacada a necessidade de tornar os portos mais eficientes, através da redução dos tempos de espera e dos custos operacionais, factores considerados determinantes para tornar o transporte marítimo atractivo para o sector privado.

Outro desafio apontado prende-se com a definição de preços competitivos, capazes de incentivar as empresas a transferirem parte das suas operações de transporte rodoviário para o mar. A desburocratização dos processos de licenciamento, atracação e movimentação de carga foi também apontada como uma condição indispensável para aumentar a eficiência e reduzir os custos de operação.

Os participantes defenderam ainda que a cabotagem não deve ser encarada como um modo de transporte isolado, mas como parte de uma estratégia mais ampla de integração logística. A actividade deverá estar articulada com o transporte rodoviário e ferroviário, garantindo a intermodalidade e maior fluidez ao longo de toda a cadeia de abastecimento.

A visão defendida no seminário é a de que a combinação entre mar, estrada e ferro poderá permitir uma circulação de mercadorias mais rápida, previsível e competitiva, contribuindo para reduzir custos para as empresas e, em última análise, melhorar a competitividade da economia moçambicana.

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