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10 de August, 2026

Indústria Extractiva: Governador de Cabo Delgado também minimiza polémica sobre formação de jovens na Matola

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Depois do Ministério da Educação e Cultura desvalorizar a escolha da cidade da Matola, na província de Maputo, para a formação de 260 jovens com vista a integrar os projectos de exploração do gás natural liderado pela TotalEnergies, agora é a vez do Governo provincial de Cabo Delgado minimizar a polémica.

Reagindo às críticas feitas há dias por organizações da sociedade civil e pelo empresariado de Cabo Delgado em torno da iniciativa, o Governador daquela província do norte do país, Valige Tauabo, defendeu que a realização da referida formação no Instituto Industrial e Comercial da Matola, não representa uma ameaça aos interesses da província, tanto que isso deve ser visto como uma oportunidade para o país no seu todo.

Para Valige Tauabo, a dimensão dos projectos de gás natural ultrapassa os limites de Cabo Delgado, pelo que as oportunidades associadas a esta indústria devem ser encaradas numa perspectiva nacional. Na sua visão, o facto de a formação teórica decorrer na Matola não significa que a província esteja a perder os benefícios do investimento.

Falando na última sexta-feira, na aldeia de Nacololo, distrito de Ancuabe, Tauabo garantiu que o seu Executivo vai, nos próximos dias, manter encontros com a sociedade civil e o sector privado de Cabo delgado para explicar os contornos da formação dos 260 jovens na Matola.

Lembre-se que, há dias, Organizações da Sociedade Civil e empresários da província de Cabo Delgado manifestaram descontentamento em relação ao modelo de implementação do programa de formação de 260 jovens nacionais, promovido pela TotalEnergies, com vista a reforçar a mão-de-obra no projecto de exploração do gás natural, no distrito de Palma.

Em conferência de imprensa conjunta, as organizações da sociedade civil e o empresariado de Cabo Delgado defenderam que a decisão de realizar a formação fora da sua província ignora as necessidades e expectativas dos jovens daquele ponto do país, particularmente daqueles que directamente estão afectados pelos ataques terroristas e que aguardam oportunidades de capacitação próximas das suas comunidades.

Em resposta às críticas, o Ministério da Educação e Cultura disse que a decisão de realizar a formação teórica no Instituto Industrial e Comercial da Matola resulta de uma avaliação técnica que concluiu que a instituição reúne, neste momento, as condições necessárias para garantir o arranque imediato do programa.

Entre as condições existentes no Instituto Industrial e Comercial da Matola, diz a nota, está o alojamento, as oficinas, os laboratórios e equipamentos indispensáveis para assegurar o arranque imediato do programa, “em conformidade com os padrões técnicos exigidos pela indústria do gás natural liquefeito”.

O argumento do Governo não convenceu o Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (FOCADE), que entende que a formação devia realizar-se em Cabo Delgado, uma vez que é nesta província onde estão localizados os recursos naturais que dão origem ao projecto de gás.

“Os recursos estão a ser explorados aqui, esses recursos trazem dinheiro e fazer uma academia em Maputo não faz sentido. Esses recursos deviam construir aqui uma academia, para que os jovens de Cabo Delgado possam formar-se”, afirmou Marta Licuco, citada pela Zumbo FM.

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