A inclusão financeira em Moçambique manteve uma trajectória positiva, impulsionada, em 2025, sobretudo, pela digitalização dos serviços financeiros e forte expansão dos serviços das Instituições de Moeda Electrónica (IME). Naquele ano, a posse de contas de moeda electrónica atingiu 1313 por 1000 adultos. Entretanto, no período em análise, o número de contas bancárias só cresceu 2% por cada 1000 adultos, de 330 em 2024 para 337.
Estes dados mostram que há cada vez mais utilizadores de moeda electrónica em Moçambique que a banca tradicional. A informação consta do mais recente Relatório de Inclusão Financeira referente a 2025, publicado esta semana pelo Banco de Moçambique.
Dados constantes no documento revelam que em 2025, o sistema financeiro nacional reforçou a sua rede institucional, destacando-se o licenciamento da primeira Sociedade de Garantia Mutuária e o crescimento das organizações de poupança e empréstimo (13%), passando de 15 para 17 entidades, dos operadores de microcrédito (22%), de 2818 para 3426 operadores e dos microbancos (7 %), que passaram de 15 para 17 instituições.
“O sector de seguros também acompanhou esta tendência positiva, reflectindo o aumento do número de promotores de seguros (40%), instituições seguradoras (21 %), corretoras de seguros (20 %) e corretoras de resseguros (20 %)”, lê-se no referido Relatório.
Entretanto, a fonte relata que em 2025, o crédito à economia observou uma ligeira redução (1pp) passando para 19% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os depósitos cresceram em 3 pp para 51% do PIB, indicando maior mobilização de poupança.
O Relatório que temos vindo a citar revela ainda que no período em análise, a capitalização bolsista atingiu 221,9 mil milhões de Meticais, correspondente a um crescimento de cerca de 5% face a 2024, enquanto o rácio de capitalização bolsista em percentagem do PIB aumentou 1,4 pontos percentuais, reforçando o papel do mercado de capitais no financiamento da economia nacional.
“Até Dezembro de 2025, o sistema obrigatório de previdência social registou 241.169 pensionistas, todos bancarizados, confirmando a total migração para o Sistema Único de Pagamento de Pensões, iniciado em 2020”, lê-se no Relatório.
No cômputo geral, o Índice de Inclusão Financeira (IIF) manteve-se em 36,4, indicando um nível de inclusão financeira moderado, a reflectir aumentos nas dimensões de acesso e uso, amortecido pela redução na disponibilidade. Conforme relatado, as IME apresentaram desempenho superior face aos bancos, evidenciando maior eficácia dos canais digitais.
“O sector segurador cresceu cerca de 4%, mas permanece altamente concentrado no seguro tradicional (98,8 %) e na cidade de Maputo. O microsseguro continua com fraco desempenho (1,2 %), limitando a inclusão”, relata o documento.
O Banco de Moçambique, refere no Relatório que apesar dos progressos registados, persistem desafios relacionados com a redução das desigualdades regionais e de género, a expansão do acesso e uso de serviços financeiros, a promoção dos pagamentos digitais, o reforço da literacia financeira e digital e da protecção do consumidor.
A instituição espera que estes desafios sejam gradualmente ultrapassados através da implementação da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (2025-2031), com destaque para a expansão dos pontos de acesso financeiros, o fortalecimento dos pagamentos digitais, a promoção do acesso à identificação civil, entre outras acções.





