A empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) informou, na última semana, que a partir do dia 02 de Abril próximo deixará de ser permitido o pagamento em numerário a bordo das automotoras para a aquisição de bilhetes de passagem. A medida recai sobre os utentes das automotoras de Matola-gare, Boane e Marracuene, na zona sul do país.
Em comunicado a que “Carta” teve acesso, a empresa explica que tal medida se enquadra no processo contínuo de modernização e melhoria dos serviços de transporte de passageiros. A decisão é tomada numa altura em que o CFM diz registar anualmente prejuízos de 4.5 milhões de USD, o correspondente a cerca de 70 milhões de Meticais, por subsidiar o transporte de passageiros, só na zona sul do país.
“A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique na Zona Sul acumula um prejuízo anual estimado em 4,5 milhões de dólares americanos, resultante da política de subsídio do transporte ferroviário de passageiros nas linhas do Limpopo, Goba e Ressano Garcia, onde a empresa suporta 85 por cento do custo das passagens”, noticiou, na semana finda, a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Segundo o director do CFM Sul, Emídio Bata, o valor pago pelos passageiros cobre apenas 15% do custo real do serviço, sendo o remanescente assumido pela empresa no âmbito da sua responsabilidade social. “O CFM subsidia em 85%. Por ano, em termos de prejuízos, na Zona Sul, acumulamos cerca de 4.5 milhões de dólares americanos”, disse Bata, em entrevista à AIM.
De acordo com o responsável, o transporte ferroviário de passageiros em Moçambique deve ser entendido sobretudo como uma contribuição social, e não como uma actividade orientada para o lucro. “Não olhamos para o lucro. Então, de facto, é um prejuízo enorme para todo o sistema ferroviário do Sul”, afirmou o gestor.
Bata alertou ainda que a tarifa actualmente cobrada nem sequer cobre os custos do combustível, mas sublinhou que a empresa considera essencial manter o serviço, tendo em conta o seu impacto social e o contributo para reduzir as dificuldades que a população enfrenta.
O sistema ferroviário do Sul opera comboios nas linhas do Limpopo, Ressano Garcia e Goba, incluindo serviços que terminam em pontos intermédios como Manhiça, Matola-Gare, Boane e Marracuene, no quadro das acções destinadas a melhorar a mobilidade urbana e rural.





