A economia moçambicana terminou o ano passado, com sinais de recuperação, após um início de 2025 turbulento, devido às violentas manifestações contra os resultados das eleições gerais de Outubro de 2024.
Dados oficiais, ainda não publicados e a que Carta de Moçambique teve acesso, indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) fechou 2025 com um desempenho positivo (4,67%), no último trimestre do ano passado.
Os números indicam que o desempenho entre Outubro e Dezembro de 2025 foi catapultado pela indústria extractiva (13,96%), agricultura (13,59%) e transportes e comunicações (10,89%).
Descrito como “muito bom”, esse registo positivo não impediu uma recessão de 0,5% registada em 2025 face a 1,9% do PIB em 2024.
A contracção da economia no ano passado foi influenciada pelo desempenho negativo nos três primeiros trimestres: primeiro trimestre ( -3,92%), segundo trimestre (0,94%) e terceiro trimestre (-0,85%), referem os dados oficiais.
Recuperação económica – FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a actividade económica tem vindo a recuperar, depois de uma contracção significativa no final de 2024, na sequência das eleições gerais de Outubro de 2024.
“A inflacão continuou baixa desde Dezembro de 2023. Enquanto o défice da conta corrente em 2025 diminuiu, continuou significativamente mais elevada do que os níveis consistentes com fundamentos económicos. As reservas internacionais brutas cobriam 6,5 meses de importações em 2025”, nota o Conselho Executivo daquele organismo de Bretton Woods, nas conclusões referentes ao IV Artigo de Consultas com a República de Moçambique, publicadas há duas semanas.
Na mesma linha de optimismo quanto ao desempenho da economia, o Banco Mundial projecta um crescimento de 2,8% este ano.
Na segunda-feira (23), o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e o director de Divisão do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, acordaram sobre a importância da implementação do Quadro de Parceria com o País para o período 2026–2031, que prevê a mobilização de cerca de 10 mil milhões de dólares, em investimento público e privado.
“Ao longo do período de implementação, espera se que esta parceria contribua para mobilizar cerca de seis mil milhões de dólares norte-americanos em investimento público e quatro mil milhões de dólares norte-americanos em investimento privado”, indica uma declaração conjunta do Governo de Moçambique e do Grupo Banco Mundial, a que Carta teve acesso.
A declaração resultou de uma audiência que Daniel Chapo concedeu a Fily Sissoko, hoje em Maputo.
O texto avança que o Governo de Moçambique e o Grupo Banco Mundial acabam de lançar um processo anual de planeamento operacional, assinalando a transição da aprovação do Quadro de Parceria para a sua implementação.
“Este processo permitirá priorizar o financiamento concessional e as subvenções do Grupo Banco Mundial, em linha com os programas e investimentos prioritários do Governo de Moçambique”, refere-se na declaração.
Com um forte enfoque na rapidez, na coordenação e nos resultados, o processo de planeamento operacional orientará os recursos para áreas com maior potencial de criação de emprego e de expansão das oportunidades económicas.





