A empresa Rede Viária de Moçambique (REVIMO) já não é concessionária das estradas Praia de Bilene – Macia (R453), Macia – Chókwè (N101) e Chókwè – Macarretane (R448), todas localizadas na província de Gaza, sul de Moçambique.
O abandono das três estradas resulta de prejuízos avultados, devido ao baixo fluxo de veículos.
A informação foi avançada esta terça-feira (09) pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no final da 31ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros.
Na mesma reunião, o executivo constatou que houve cada vez mais mortes por acidentes de viação, de Janeiro a Agosto de 2025.
Impissa disse que para chancelar a retirada da REVIMO, o Governo aprovou naquela sessão o Decreto que revoga o Decreto n.º 46/2021, de 5 de Julho, que integra as já aludidas estradas com 117.7 km de extensão, no conjunto de Estradas Concessionadas à Rede Viária de Moçambique, SA.
“A revogação justifica-se pelo baixo nível do tráfego e da receita, bem como por elevados níveis dos custos operacionais, que contrariam as projecções iniciais assumidas pela concessionária. Após autorizar a revogação da concessão, o Conselho de Ministros autorizou os ministros dos Transportes e Logística e das Finanças, a criar uma comissão de trabalho, para estabelecer mecanismos de gestão dos activos, incluindo a continuidade da manutenção das vias”, explicou o porta-voz do Governo.
As estradas foram concessionadas pelo Governo em 2021, através do Decreto n.º 46/2021, de 5 de Julho, ora revogado. A concessão cobria um período de 20 anos e foi feita sem concurso público, à semelhança do que aconteceu quando o Conselho de Ministros decidiu, através do Decreto nº. 93/2019, de 17 de Dezembro, concessionar à REVIMO a exploração das estradas Beira – Machipanda (EN6); Circular de Maputo, incluindo a extensão que liga a vila de Marracuene à Macaneta; Ponte Maputo – KaTembe e as respectivas estradas de ligação.
Sangue nas estradas
Ainda sobre estradas, o Governo apreciou, na reunião semanal, a informação sobre o Relatório de Implementação do Plano de Segurança Rodoviária 2025, com estatísticas da sinistralidade rodoviária dos últimos oito meses do ano, comparativamente a igual período de 2024.
Segundo Inocêncio Impissa, o relatório revela o aumento de acidentes de viação em 20 casos, uma vez que foram registados, de Janeiro a Agosto de 2025, 430 acidentes contra 410 contabilizados em igual período de 2024.
Quanto ao número de vítimas mortais, a situação é igualmente preocupante. No período em análise foram registadas mais 71 vítimas mortais, correspondente a um incremento de 14% em comparação com igual período de 2024. De Janeiro a Agosto de 2025, foram registadas 575 vítimas mortais, contra 504 vítimas contabilizadas nos primeiros oito meses de 2024.
O mesmo sucede quanto ao danos matérias que estão igualmente a registar uma tendência crescente.
“Esses dados confirmam o que já sabíamos como Governo, que enfrentamos um desafio crítico de insegurança rodoviária no país, ao ponto de termos 30,1 mortes de acidentes de viação, por cada 100 mil habitantes, o que se traduz entre sete mil e 10 mil mortes anuais tanto de forma directa, quanto indirecta, considerando as consequências dos acidentes de viação, segundo dados da Organização Mundial da Saúde”, disse o também ministro da Administração Estatal e Função Pública.





