O Gabinete Provincial de Combate Corrupção na Zambézia já deduziu acusação definitiva contra Marla Matos, filha do Governador da Província, num caso relacionado com o alegado desvio de 10 milhões de Meticais que se destinavam à compra de uma embarcação, disse à “Carta” fonte sénior da procuradoria.
Segundo a fonte, a defesa de Marla Matos já requereu uma audiência preliminar, no âmbito da qual serão realizadas outras diligências complementares a seu pedido. “Carta” sabe que, para além de Marla Maria, há mais 4 arguidos respondendo no mesmo processo.
Há dias, a Procuradoria Geral da República (PGR) mandou seguir para a Zambézia o Diretor-Adjunto do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) para ir acompanhar de perto alguns processos “quentes” em curso naquela província, mormente envolvendo figuras sonantes do governo e da função pública em eventual colusão com agentes do sector privado.
O caso do alegado desvio ilícito de cerca de 10 milhões de meticais da Direcção Provincial de Transportes e Comunicações da Zambézia para a empresa OK Corporation, em que é accionista Marla Mata veio à tona em 2022.
O escândalo foi destapado, depois de a embarcação que devia fazer o transporte de pessoas e carga entre Quelimane e Inhassunge não ter sido entregue nesse ano, de acordo com os prazos acordados,e ter vindo à superfície que a adjudicação do negócio foi directa e sem concurso público.
Depois de durante algum tempo se ter remetido ao silêncio, perante insistentes questionamentos de jornalistas e organizações da sociedade civil, Pio Matos apenas se pronunciou sobre o assunto, pela primeira vez, durante a campanha eleitoral para as eleições provinciais de 2024, escrutínio em que se candidatava novamente ao cargo.
Numa das acções de campanha, Matos prometeu pôr tudo em pratos limpos, mas o que se seguiu foi a entrega pela Ok Corporation de um barco alegadamente sem especificações apropriadas para transporte de pessoas e carga, naquele trajecto do rio dos Bons Sinais.
A embarcação objecto da adjudicaçãodirecta e supostamente ilegal devia ter 45 lugares para passageiros e com dimensões suficientes para o transporte de bens, mas o navio entregue tem 20 lugares e com características mais para turismo.
Essas discrepâncias adensaram as suspeitas de que o barco fornecido pela Ok Corporation foi uma solução de desespero a que Pio Matos recorreu para abafar o caso.
As crescentes nuvens de suspeiçãolevaram a Procuradoria Provincial da Zambézia a abrir o processo nº 114/04/2024) com vários arguidos constituídos por crimes de peculato e abuso de cargo.

