Dino Momade Foi, Presidente da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique, é, desde esta segunda-feira, Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), a entidade responsável pela implementação do Projecto SUSTENTA, a principal bandeira de governação de Filipe Nyusi e um dos maiores fracassos da história do país. O economista tomou posse ontem em substituição de Cláudio Borges, que ocupava o cargo desde Abril de 2020.
Sem explicar as razões desta escolha, anunciada semana passada, no fim da XXI Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, disse apenas que o percurso de vida de Dino Foi “testemunha a sua capacidade de liderar processos difíceis, com poucos recursos e, mesmo assim, apresentar resultados concretos que mudam vidas de pessoas, de comunidades e de distritos”.
“É desta experiência que necessitamos para consolidar esta importante instituição. O FNDS deve contribuir para o desenvolvimento do sector agrário e, através deste, contribuir para a melhoria das condições de vida no meio rural. Deve também ajudar a elevar os níveis de segurança alimentar e apoiar na redução gradual das importações de produtos agrícolas essenciais”, disse Benvinda Levi.
Segundo Benvinda Levi, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável deve afirmar-se como “instrumento decisivo para a transformação económica do país”, apoiando soluções concretas e criando condições para que o desenvolvimento seja sustentável, inclusivo e resiliente.
“Os programas do FNDS devem chegar às pessoas, sobretudo às que vivem nas zonas rurais e enfrentam maiores dificuldades”, afirma a governante, exigindo que a instituição deve também assumir um papel de liderança na criação de oportunidades para mulheres e jovens. “Queremos que milhares de moçambicanos encontrem realização profissional sem terem de abandonar as suas comunidades. Ao criarmos oportunidades locais, estaremos a dinamizar as economias dos distritos. Estaremos a reduzir as desigualdades territoriais. E estaremos a reforçar a esperança das nossas famílias”, defendeu.
Por isso, Levi espera que a liderança e experiência de Dino Foi contribuam para que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável “promova investimentos em cadeias de valor agrícolas modernas”. Esses investimentos, disse, devem impulsionar mudanças estruturais na base produtiva da economia rural, sobretudo ter um impacto directo na vida das comunidades.
O Governo espera ainda que o FNDS apoie e facilite o acesso ao financiamento para as Micro, Pequenas e Médias Empresas que actuam nas áreas da agricultura, florestas, pescas, conservação ambiental, energias renováveis, turismo sustentável e economia verde. O FNDS deve igualmente desenvolver parcerias com fundos climáticos globais, parceiros de cooperação, sector privado e investidores.
“Devemos trabalhar com todos os que partilham a visão de um crescimento verde, inclusivo e sustentável. Esperamos, ainda, que o FNDS se mantenha como uma plataforma credível e transparente capaz de mobilizar recursos nacionais e internacionais para financiar o desenvolvimento sustentável do nosso país”, afirmou Benvinda Levi, recomendando uma gestão transparente e responsável da coisa pública.
Já o novo PCA do FNDS, Dino Foi, disse aos jornalistas que a sua prioridade é de alimentar o povo moçambicano. “A minha prioridade é uma: dar alimentação ao povo moçambicano. O Presidente Daniel Chapo tem uma missão simples, que é de alimentar a população. Então, independentemente da minha visão, essa minha visão deve estar em volta daquilo que são as ansiedades deste povo”, afirmou Dino Foi, naquela que foi a sua primeira entrevista na qualidade de PCA do FNDS, sublinhando que não leva nenhuma “varinha mágica” para o FNDS. “Queremos percebê-la e depois vermos como podemos dar um valor adicional”.
Refira-se que, até à sua nomeação, Dino Foi liderava, desde a criação, em 2012, a Fundação humanitária budista Tzu Chi Moçambique, que se tornou famosa pelas suas acções de reconstrução pós-ciclone Idai, na província de Sofala, onde está a erguer 3.100 habitações, das quais 1.673 já concluídas e entregues, e 23 escolas, 14 das quais finalizadas. O investimento é avaliado em 108 milhões de USD.
Nascido a 30 de Setembro de 1974, em Inhassunge, província da Zambézia, Dino Foi fez a sua formação primária e secundária em Maputo, para onde se mudou em 1985, vindo de Quelimane. É licenciado em Economia, possuindo um mestrado e dois doutoramentos. (Carta)





