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18 de December, 2025

“O Estado da Nação é de confiança renovada” – diz Daniel Chapo

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Ao fim de 11 meses de governação, Daniel Chapo diz não ter dúvidas de que o Estado Geral da Nação é de “confiança renovada, rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”. O facto foi defendido na tarde desta quinta-feira, em Maputo, durante a apresentação, aos deputados, do Informe Anual sobre o Estado Geral da Nação.

“Quando comparamos os primeiros meses deste ano, com a realidade que hoje vivemos, não temos dúvidas em afirmar que o Estado da Nação é de confiança renovada, rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”, afirmou o Presidente da República, convidando cada moçambicano a fazer sua própria análise sobre a situação política, económica e social do país.

“Cada moçambicano fará a sua avaliação. Cada Deputado terá a sua leitura. Cada analista na imprensa fará o seu juízo. E até cada estrangeiro radicado no País fará a sua apreciação. Quem viu a sua barraca ou viatura destruída com violência terá, também, o seu próprio julgamento. Assim funciona uma democracia madura como a nossa”, defendeu.

Em quase três horas de discurso, Chapo defendeu que a sua governação, até ao momento, durou, em rigor, oito meses, “dado que o arranque do mandato foi afectado por episódios de instabilidade e sabotagem”, devido às “manifestações violentas, ilegais e criminosas”, que assolaram o país entre Outubro de 2024 e Março de 2025, causadas por fortes indícios de fraude eleitoral nas eleições gerais de 2024.

Segundo o Presidente da República, os referidos episódios de “instabilidade e sabotagem” exigiram responsabilidade, serenidade, calma, mas “muita firmeza para restaurar a ordem e segurança públicas e proteger vidas humanas e património do povo moçambicano”.

Aos deputados, Chapo afirmou que quando assumiu o poder encontrou um país funcional, mas “profundamente fragilizado”. “Era um Moçambique assolado por instabilidade social, incerteza económica e um ambiente que ameaçava não apenas o funcionamento do Estado, mas também a confiança do nosso Povo no futuro”.

Recorrendo aos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Chefe de Estado disse que Moçambique enfrentava uma inflação muito alta, sendo que, no mês de Dezembro de 2024, situava-se em 4,15%, “reflectindo um ambiente económico tenso, incerto e sem direcção” e, em Janeiro de 2025, era de 1,45%.

A este quadro económico difícil, disse, “somou-se o impacto devastador das manifestações violentas, ilegais e criminosas, ocorridas entre Outubro de 2024 e o primeiro trimestre de 2025, que deixaram marcas profundas no tecido económico e social do país”. Acrescentou ainda os ciclones Chido, Dikeledi e Jude, “que deixaram um rasto de destruição humana e material”.

“Em suma, herdámos um país simultaneamente fustigado pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, assolado pelo terrorismo em algumas zonas do norte da província de Cabo Delgado, profundamente fragilizado por manifestações violentas, ilegais e criminosas, e com uma economia em recessão”, resumiu.

Sinais de uma “nova forma de governar”

Entretanto, o Chefe do Governo entende que apesar do “contexto desafiante”, os primeiros oito meses de “revelaram sinais fortes e inequívocos de uma nova forma de governar. São sinais de estabilização da nação; diálogo nacional transformado em prática quotidiana; aproximação real entre o Estado e os cidadãos; reformas corajosas nos alicerces do Estado; reposicionamento institucional para combater desigualdades e acelerar o desenvolvimento inclusivo; e recuperação da confiança interna e externa numa governação transparente, íntegra, próxima e orientada para resultados”.

Segundo Daniel Chapo, todas as instituições públicas e privadas funcionam plenamente; as estradas voltaram a encher-se de vida; as escolas acolhem as crianças; os hospitais servem o povo; e que a economia “dá sinais claros de renascimento, reacendendo a esperança dos moçambicanos e reafirmando a nossa capacidade colectiva de superar adversidades”.

“Os resultados desse esforço são muito bons, mas a nossa honestidade exige reconhecer que ainda enfrentamos desafios reais, como a pobreza persistente, desemprego, défice habitacional, insuficiências nos transportes públicos e a criminalidade que precisamos de combater sem tréguas”, disse.

Para o ano de 2026, o Presidente da República afirma ser objectivo do Governo reduzir as desigualdades, diminuir a pobreza, criar emprego digno e impulsionar uma economia diversificada e sustentável. “Projectamos um crescimento económico de 2,8%, acima da previsão de 1,6% para 2025, impulsionado por serviços, exportações de Gás Natural Liquefeito, dinamismo agrário e investimentos energéticos”, assegura.

Refira-se que esta foi a primeira deslocação de Daniel Francisco Chapo ao Parlamento desde que foi empossado como o quinto Presidente da República, em substituição de Filipe Jacinto Nyusi. (A.M.

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