Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

5 de November, 2025

Eleições na Tanzânia: SADC boicota mais uma tomada de posse regional

Escrito por

Mais uma vez, os Chefes de Estado e do Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) boicotaram uma cerimónia de tomada de posse de um Presidente da República da região, revelando, cada vez mais, as suas desinteligências em relação ao rumo da democracia e cooperação regionais.

Desta vez, a vítima foi a República Unida da Tanzânia, que contou apenas com dois, dos 16 Chefes de Estado e Governo da SADC, na tomada de posse, esta segunda-feira, em Dodoma, de Samia Suluhu Hassan para mais um mandato à frente dos destinos daquela nação da costa oriental de África. Trata-se dos Chefes de Estado de Moçambique, Daniel Chapo, e da Zâmbia, Hakainde Hichilema, que marcaram presença na cerimónia realizada numa base militar e que contou também com a presença dos Presidentes da Somália e do Burundi.

O boicote à tomada de posse de Samia Suluhu Hassan segue-se à sabotagem verificada, em Janeiro último, à tomada de posse de Daniel Chapo, que contou apenas com a presença do Chefe de Estado da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e do Chefe de Estado da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló.

Aliás, o caso moçambicano repetiu-se nas celebrações oficiais dos 50 anos da independência nacional, em que compareceram apenas dois Chefes de Estado da região, nomeadamente, Samia Suluhu, da Tanzânia, e Emmerson Mnangagwa, do Zimbabwe. Os restantes chefes de Estado e do Governo enviaram os seus representantes à cerimónia.

Curiosamente, as duas “sabotagens” protagonizadas pelos países da região aconteceram após polémicas nas eleições moçambicanas e tanzanianas, que culminaram, por um lado, com a eleição dos candidatos dos partidos no poder (Frelimo, em Moçambique, e Chama Cha Mapinduzi, na Tanzânia) e, por outro, com a chacina de cidadãos civis e membros da oposição durante os protestos pós-eleitorais.

Em Moçambique, Daniel Chapo foi empossado quinto Chefe de Estado em meio a protestos convocados por Venâncio Mondlane, que classificou as eleições de 2024 como fraudulentas e criminosas. Mais de 300 pessoas foram assassinadas pela Polícia durante as manifestações populares, que se verificaram no país entre Outubro de 2024 e Março de 2025.

Por sua vez, Samia Suluhu foi declarada vencedora das eleições gerais de 29 de Outubro, com 97,66% dos votos, num escrutínio em que a Presidente da Tanzânia concorreu sozinha, após a exclusão de dois dos seus principais rivais, nomeadamente, Luhaga Mpina, da Aliança para a Mudança e Transparência, e Tundu Lissu, do Chadema, este detido em Abril por suposta traição e incitamento à violência.

Mesmo sem a presença dos principais rivais de Samia Suluhu, os órgãos eleitorais falam de uma participação de 87% dos eleitores tanzanianos, números contestados pela oposição. Aliás, os resultados “coreanos” desencadearam uma onda de manifestações nas principais cidades da Tanzânia, com destaque para Dar-es-Salaam, onde foram mortos mais de duas centenas de cidadãos.

Num acto histórico, a Missão de Observação Eleitoral da SADC concluiu que as eleições, na Tanzânia, não foram democráticas, pois, não respeitaram a vontade do povo e muito menos seguiram os princípios democráticos estabelecidos pela organização.

O Relatório Preliminar da Missão, divulgado pela STV, refere que alguns dos observadores eleitorais da SADC tiveram dificuldades em obter informações, para além de terem sido vítimas de detenções arbitrárias e interrogatórios intimidatórios por parte das Forças de Defesa e Segurança daquele país.

Lembre-se que são membros da SADC: Angola, África do Sul, Botswana, Comores, República Democrática do Congo, eSwatini, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles, República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

De Junho de 2024 a Novembro de 2025, a SADC assistiu a pelo menos cinco cerimónias de tomada de posse, sendo que as de Gaberone (Botswana), Maputo (Moçambique) e Dodoma (Tanzânia) foram as menos concorridas, com a particularidade de que o novo Presidente do Botswana é proveniente da oposição, o primeiro a liderar aquele país em 50 anos.

A tomada de posse de Cyril Ramaphosa, da África do Sul, em Junho de 2024, contou com a presença de mais de 10 Chefes de Estado de todos os mundos, entre eles, os de Moçambique, Angola, eSwatini, Lesotho, Namíbia, Tanzânia e Zimbabwe. Na investidura de Ndemupelila Netumbo Nandi-Ndaitwah, Presidente da Namíbia, em Março último, estiveram presentes os Chefes de Estado de Moçambique, Angola, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia.

O Presidente de República disse aos jornalistas que foi à investidura de Samia Suluhu Hassan em nome das relações diplomáticas entre Moçambique e Tanzânia, cuja génese parte desde a luta de libertação nacional, quando aquele país vizinho acolheu o movimento nacionalista que lutou pela libertação do país, a Frente de Libertação de Moçambique.

“Nós achámos que era muito importante estarmos aqui em nome do povo moçambicano, mas também para, cada vez mais, solidificar as relações de amizade e cooperação que existem entre os dois povos”, defendeu Daniel Chapo.

Visited 92 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 570 vezes