Um movimento desusado de campanhas de solidariedade está em curso nas redes sociais, desde o último domingo, solicitando, junto dos cidadãos, apoio financeiro e material para ajudar no restabelecimento dos serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo, cujo edifício foi incendiado na manhã daquele dia.
As campanhas, na sua maioria em nome do Hospital Central de Maputo (HCM), apresentam uma longa lista de necessidades, incluindo água, pensos higiénicos e fraldas descartáveis, e contactos telefónicos de alegados médicos da unidade sanitária para onde podem ser transferidos os valores.
Na conferência de imprensa desta segunda-feira, o Director Clínico do HCM alertou para a circulação de informações falsas sobre alegadas iniciativas de apoio ao hospital, anunciando que não irá aceitar donativos através de plataformas móveis.
Segundo Dércio Fernandes, as pessoas e organizações interessadas em prestar apoio ao HCM deverão recorrer aos canais bancários oficiais do Millennium bim e do BCI, mediante um documento formal assinado pela directora-geral da instituição. O responsável apelou à população para que não reconheça como oficiais as campanhas de angariação de fundos, realizadas através de plataformas móveis em nome do hospital.
No entanto, a onda de solidariedade lançada momentos após o incêndio tem inquietado parte da sociedade, que entende não fazer sentido algum que o Governo apele ao apoio de pessoas que pagam impostos para o funcionamento da administração pública e cujas vidas já estão afundadas na crise económica que abala as famílias.
Outros questionam a razoabilidade de um Governo pedir apoio aos cidadãos, num país em que os dirigentes circulam em viaturas que custam 27 milhões de Meticais, adquiridas com fundos públicos. Os mais ousados referem que o dinheiro investido em viagens do Chefe de Estado pode cobrir as carências do HCM perante a desgraça registada no domingo.
Porém, apesar dos questionamentos e interrogações, o HCM começou a receber os apoios. Nesta segunda-feira, a Bancada Parlamentar da Frelimo entregou produtos alimentares, materiais de higiene e outros bens à maior unidade sanitária do país.
Acção idêntica foi protagonizada pelo próprio partido Frelimo, a nível do Comité da Cidade de Maputo, que também entregou produtos de primeira necessidade e materiais de apoio hospitalar, destinados para minimizar as dificuldades enfrentadas pelos pacientes e pela unidade sanitária.




