O Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país, retomou, ontem, o atendimento aos doentes oncológicos nas instalações do Serviço de Dermatologia, para onde foi transferida, provisoriamente, a actividade clínica da Oncologia, após o edifício ser consumido pelas chamas no passado domingo.
Segundo aquela unidade sanitária, dos processos clínicos dos pacientes oncológicos, 95% foram preservados por se encontrar na cave do edifício, fora das áreas atingidas pelo fogo e pela água utilizada no combate ao incêndio. Neste momento, as equipas estão a proceder à reconstituição dos processos afectados, com o objectivo de retomar a administração da quimioterapia em ambulatório o mais rapidamente possível.
A informação foi avançada esta segunda-feira pelo Director Clínico do HCM, durante uma conferência de imprensa destinada a actualizar a situação do serviço após o incêndio que deflagrou na manhã do último domingo.
Segundo Dércio Fernandes, os doentes internados foram transferidos em segurança, sem registo de danos humanos, e a unidade sanitária está a reorganizar os serviços para garantir a assistência aos pacientes. O responsável reafirma que o Serviço de Oncologia tinha 22 doentes internados, sendo que 12 tiveram alta médica, enquanto os restantes 10 foram transferidos para a enfermaria de Dermatologia.
Fernandes afirma que, apesar dos danos provocados pelo incêndio, o hospital retomou o atendimento, em regime ambulatório, abrangendo a maioria dos pacientes oncológicos, incluindo consultas, acompanhamento psicológico e tratamentos de quimioterapia.
Diz que, nesta segunda-feira, por exemplo, o serviço recebeu 60 pacientes para consultas, 12 para atendimento de urgência e 20 que se deslocaram à maior unidade sanitária do país para realizar quimioterapia em ambulatório. Contudo, estes últimos tiveram de aguardar pela abertura de novos processos clínicos, uma vez que os documentos preparados para os tratamentos do dia foram atingidos pelo fogo.
O responsável afirmou ainda que cinco pacientes foram recebidos para internamento, dos quais três necessitavam de hospitalização e dois se encontravam em processo de transfusão para iniciar a quimioterapia. A continuidade da quimioterapia constitui um dos principais desafios do hospital, tendo em conta que o Serviço de Oncologia atendia diariamente entre 30 e 40 pacientes na modalidade de hospital de dia.
Para responder a esta necessidade, explicou, as cadeiras específicas para a administração dos tratamentos foram recuperadas e instaladas no edifício Serviço de Dermatologia, nova “casa” das actividades da Oncologia.
A fonte assegurou que os tratamentos vão continuar, embora reconheça a existência de dificuldades decorrentes da transferência e da reorganização dos serviços. Acrescentou que as equipas de enfermagem, psicologia, medicina geral e especialidades estão mobilizadas para garantir o acompanhamento dos pacientes.
Em relação ao serviço de radioterapia, que funciona no edifício consumido pelas chamas, o Director Clínico do HCM esclareceu que o tratamento de doenças oncológicas não depende exclusivamente deste procedimento, existindo diferentes abordagens terapêuticas de acordo com as necessidades de cada paciente. Assegurou também que uma visita ao Serviço de Radioterapia permitiu verificar que os equipamentos Flexitron e Acelerador Linear se encontram preservados, não havendo, segundo a avaliação apresentada, risco de emissão de radiações associado ao incidente.
Entretanto, as causas do incêndio, assim como a extensão dos danos materiais continuam sob investigação pelas entidades competentes, por isso, considerou prematuro avançar conclusões enquanto decorre o levantamento dos prejuízos.

