O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, nesta terça-feira, os resultados do IIIº Censo de Empresas (CEMPRE 2025-2026), realizado entre Setembro de 2025 e Maio de 2026, com o objectivo de recolher e actualizar informação sobre a estrutura do sector empresarial moçambicano, abrangendo empresas, instituições sem fins lucrativos e respectivos estabelecimentos.
O CEMPRE 2025-2026 apurou que existem, no país, 140.807 entidades com registo formal, das quais 112.784 (80.1%) são empresas e 14.462 são entidades sem fins lucrativos. Entretanto, o CEMPRE 2014-2015 registou um total de 72.742 entidades, das quais 51.237 (70,4%) eram empresas e 10.630 eram instituições sem fins lucrativos.
Numa análise comparativa, depreende-se que, em 10 anos, as entidades formais registadas em Moçambique aumentaram em 68.065, sendo que as empresas cresceram em 61.547 e as instituições sem fins lucrativos em 3.832. O novo censo constatou, porém, que 96,7% das 140.807 entidades contabilizadas encontram-se em actividade, 0,2% estão paralisadas e 0,3% aguardavam pelo início de actividade.
O CEMPRE 2025-2026 constatou igualmente que todas as entidades registadas empregavam 1.026 milhão de pessoas e detinham um volume de negócios de 2.457 mil milhões de Meticais. De acordo com o relatório do novo censo, o tecido empresarial moçambicano é constituído maioritariamente por microempresas, representando 64,5% das empresas activas, seguido de pequenas empresas (30,9%), médias empresas (3,2%) e, por fim, as grandes empresas (1,5%).
A nível de ramos de actividades, mais da metade tem como actividade principal o comércio a retalho e a grosso, reparação de veículos, com 54,3%, e empregam 294.201 pessoas, o que representa 28,6% do total de emprego do sector empresarial, tendo gerado um volume anual de negócio de 579,4 mil milhões de Meticais, correspondente a 23,6% do total.
O CEMPRE 2025-2026 revela que as 14.462 instituições sem fins lucrativos empregam 136.269 pessoas e movimentaram cerca de 117,4 mil milhões de Meticais em receitas anuais. Metade dessas instituições são associações com 50,7%, seguidas das confissões religiosas com 45,5%. As províncias de Manica, Inhambane e Gaza, juntas concentram 67,4% das instituições sem fins lucrativos.
O último censo de empresas trouxe ainda a questão da inclusão financeira, tendo concluído que 77,8% das entidades possui uma conta bancária e 54,3% possui carteira móvel. A nível de ramos de actividades, só 53,0% das confissões religiosas tem conta bancária, o único ramo abaixo dos 60,0%.
Quanto à dimensão das empresas, as grandes e médias empresas na sua totalidade possuem conta bancária, e essa situação reduz à medida que a dimensão da empresa se torna menor. Em contrapartida, as microempresas (67,2%) e as pequenas empresas (45,8%) têm as carteiras móveis como mecanismo preferencial.
Em relação à liderança e participação plena da mulher no sector empresarial moçambicano, o relatório do IIIº Censo das Empresas revela que apenas 17,1% das empresas são detidas ou geridas por mulheres.
O novo censo constatou ainda que as mulheres têm maior expressão nas microempresas com 18,9%, e pequenas empresas (14,2%), enquanto apenas 9,7% são gestoras de topo nas grandes empresas. Olhando para o ramo de actividades, as mulheres têm maior expressão na gestão de empresas ligadas a alojamento e restauração (31,9%), educação (28,3%), saúde e acção social (18,3%).





