O governo do Malawi confirmou no último domingo (25) que o Presidente Peter Mutharika, de 86 anos de idade, governa o país virtualmente a partir da África do Sul, onde se encontra a efectuar a sua quinta visita privada desde que retornou ao poder em Setembro de 2025. No total, as cinco viagens privadas do Presidente Peter Mutharika à África do Sul totalizam mais de 70 dias passados fora do Malawi, gerando críticas e pedidos de esclarecimento por parte da oposição e da sociedade civil.
Mutharika deixou o Malawi a 6 de Outubro, no que as autoridades descreveram como uma visita privada à África do Sul. Esta é a sua quinta visita este ano, com poucas informações divulgadas sobre cada uma dessas viagens. Ele retornou ao poder após derrotar o então presidente Lazarus Chakwera. Anteriormente, ele governou Malawi, entre 2014 e 2020.
Em comunicado, o Ministro do Interior, Peter Mukhito, falando na qualidade de Secretário-Geral do DPP, o partido no poder, argumentou que a ausência física do Malawi, país vizinho de Moçambique, não significa automaticamente um vazio de liderança, afirmando que a tecnologia moderna de comunicação permite que o Presidente realize consultas, tome decisões e desempenhe as suas responsabilidades constitucionais remotamente.
Ele reiterou que Mutharika tem um mandato constitucional que se estende até 2030 e que se espera que ele continue liderando o país. Mukhito afirmou ter-se encontrado com o presidente na África do Sul e desmentiu as alegações de que ele esteja internado, ao mesmo tempo que rejeitou os rumores sobre a saúde de Peter Mutharika, afirmando que ele está bem e continua a governar.
Em comunicado datado de 25 de Outubro, o Secretário-Geral do partido disse que se reuniu com o presidente na África do Sul na sexta-feira (23), por mais de uma hora. Ele descreveu Mutharika como “alegre, vibrante e com boa saúde”. Mukhito afirmou que as alegações de que o presidente está internado são inconsistentes com o que ele viu e devem ser tratadas com cautela.
Ele instou o público a não apresentar especulações como factos sem evidências confiáveis, insistindo que a localização física do presidente não significa que ele tenha deixado de liderar o país. Citando a pandemia de COVID-19, Mukhito disse que a comunicação moderna permite que consultas e decisões sejam tomadas a partir de diferentes locais.
Defesa de Mukhito sai pela culatra
Mukhito viajou para a África do Sul para tentar silenciar rumores sobre a saúde de Mutharika, mas a sua visita só gerou mais estranheza e controvérsia. Agora, a grande questão é: porque visitar um presidente supostamente em viagem particular?
O Secretário-geral do Partido Progressista Democrático (DPP) está a ser questionado sobre o seu alegado encontro com o presidente Peter Mutharika, na África do Sul, no meio de uma crescente pressão pública sobre a prolongada ausência do chefe de Estado do Malawi.
A sua explicação gerou novas dúvidas, com alguns malawianos questionando porque um alto dirigente do DPP viajaria para se encontrar com um presidente supostamente em viagem particular, se não há preocupações sérias com a sua saúde.
O advogado Alexious Kamangila está entre aqueles que contestam a explicação de Mukhito. Numa publicação no Facebook, Kamangila questionou porque Mukhito precisava visitar Mutharika durante uma viagem supostamente particular e se o Secretário-Geral do DPP fazia parte do Conselho Presidencial que actualmente exerce os poderes presidenciais.
Os comentários de Kamangila atraíram reacções de outros usuários de mídias sociais, incluindo Lillies Ofmachanza, que questionou a lógica de viajar de Malawi para visitar alguém supostamente de férias. “Às vezes, o silêncio é de ouro. Uma viagem particular, como férias, não faz sentido viajar do Malawi só para visitar alguém que está de férias”, comentou ela.
Outra usuária do Facebook, a professora aposentada Martha Ziya Zimba, também considerou a declaração de Mukhito insuficiente, exigindo que os malawianos ouvissem o presidente directamente. Zimba questionou porque Mutharika não se dirigiu pessoalmente à nação, argumentando que uma garantia por escrito do secretário-geral do DPP não poderia substituir a comunicação directa do chefe de Estado.
Também citou os desafios relacionados a combustível, medicamentos, moeda convertível e fertilizantes, afirmando que, perante estas dificuldades, Malawi precisa de uma liderança visível. “Malawi está num momento crítico e é necessária uma acção decisiva”, afirmou o Partido do Congresso do Malawi (MCP), na oposição, exigindo explicações sobre a longa permanência do Presidente Peter Mutharika na África do Sul, numa altura em que o país enfrenta dificuldades económicas, como a escassez de combustível, os frequentes apagões, a falta de medicamentos essenciais nos hospitais públicos e as dificuldades de acesso à moeda estrangeira.
No início deste mês, as autoridades desmentiram relatos nas redes sociais de que Mutharika teria viajado da África do Sul para a Índia para tratamento médico. O secretário-chefe do governo, Justin Saidi, afirmou que o presidente permanece na África do Sul e pediu ao público que não divulgue informações não verificadas.
Mutharika já havia descartado especulações sobre sua saúde, descrevendo tais afirmações como “ridículas” e insistindo que estava bem. Refira-se que Malawi enfrenta uma grave escassez de moeda estrangeira, o que interrompeu as importações de combustível e contribuiu para o aumento dos custos de transporte. Longas filas são visíveis nos postos de gasolina, enquanto o fornecimento instável de energia eléctrica e a escassez de medicamentos aumentaram a frustração da população.





