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9 de October, 2026

Banco de Moçambique reúne-se duas vezes com sector privado em menos de uma semana

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O Banco de Moçambique (BM) reuniu-se duas vezes com o sector privado, em menos de uma semana, com objectivo de dar a conhecer as reformas em curso na instituição em vários domínios. Lideradas pelo Governador e pela Administradora do Pelouro de Estabilidade Monetária, as reuniões centram-se nas decisões da recente reunião do Comité de Política Monetária (CPMO) e as reformas no mercado ambiental.

O primeiro encontro teve lugar na sexta-feira e foi dirigido pela Administradora do Pelouro de Estabilidade Monetária do BM, Maria Esperança Majimeja, com a finalidade de partilhar a leitura que o Regulador do Sistema Financeiro faz sobre a evolução da economia e ouvir os principais constrangimentos enfrentados pelo sector privado à actividade empresarial.

De acordo com uma nota divulgada pelo Banco de Moçambique, as discussões centraram-se no novo regime temporário de reservas obrigatórias, uma medida adoptada pelo CPMO com o objectivo de criar condições para aumentar o financiamento à economia.

Segundo o Banco de Moçambique, o regime, com duração prevista de 18 meses, permitirá que os bancos deduzam, na componente em moeda nacional das reservas obrigatórias, montantes correspondentes a novos financiamentos concedidos a empresas do sector privado que contribuam para a substituição de importações e/ou aumento das exportações. “A medida conta, também, com o suporte do Fundo de Garantia Mutuária”, sublinha.

Já o segundo encontro teve lugar nesta quarta-feira, tendo sido dirigido pelo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, e visava reforçar o diálogo entre o Banco de Moçambique e o sector privado.

De acordo com a nota de imprensa divulgada esta quinta-feira, Felisberto Navalha disse que os encontros desta natureza permitem que os formuladores de política económica compreendam melhor os efeitos da conjuntura económica sobre as empresas, identifiquem os principais constrangimentos ao investimento e à expansão da produção, bem como oportunidades que possam ser aproveitadas.

“Este espaço de diálogo é, assim, uma oportunidade para aprofundar essa compreensão e reforçar o compromisso conjunto com a estabilidade macroeconómica e o crescimento sustentável do país”, defendeu Navalha, citado na nota, para quem a exposição do país a sucessivos choques internos e externos condiciona o funcionamento da economia nacional, exacerba as incertezas para as famílias e empresas e limita a capacidade de investimento em sectores produtivos.

No encontro, revela a nota divulgada pelo Banco Central, o Governador abordou também a assimetria de informação e as incongruências que caracterizam o actual funcionamento do mercado cambial, tendo frisado que a autoridade cambial vai implementar, brevemente, uma plataforma que permitirá acompanhar, em tempo real, o funcionamento do mercado, garantindo maior transparência e eficiência.

“Foi também referenciada a entrada em funcionamento da central de monitoria do uso de cartões bancários para pagamentos ao exterior, visando promover maior disciplina na utilização destes cartões. A central permite consolidar e disseminar informação sobre a utilização de cartões bancários no exterior por titular, independentemente da instituição de crédito emitente”, acrescenta a fonte.

Refira-se que, entre os encontros com o sector privado, o Banco de Moçambique reuniu-se também com os bancos comerciais com o objectivo de partilhar informação relevante sobre o Novo Regime de Reservas Obrigatórias, os projectos de Implementação da Plataforma Electrónica de Negociação e o de Implementação da Central de Monitoria do Uso de Cartões Bancários para Pagamentos sobre o Exterior. A reunião foi dirigida pela vice-Governadora do Banco de Moçambique, Benedita Guimino.

Estas são as primeiras reuniões do Banco Central com a banca comercial e o sector privado em 10 anos, evidenciando uma reviravolta no relacionamento entre estas entidades, meses após a saída de Rogério Zandamela, Governador que se popularizou pela sua mão dura na interacção com a banca comercial. (Carta)

 

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