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24 de September, 2026

Chapo admite na ONU que estabilização de Cabo Delgado continua incompleta

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Há progressos no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, mas a estabilização da província ainda não está concluída. O reconhecimento foi feito esta quarta-feira, em Nova Iorque, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

“A estabilização permanece incompleta”, declarou Chapo no Debate Geral da 81.ª sessão, depois de destacar a actuação das Forças de Defesa e Segurança e o apoio prestado pela SADC, União Europeia, Ruanda e Tanzânia.

Moçambique quer agora um apoio internacional “mais previsível e coordenado” para consolidar a segurança e avançar com a estabilização, reconstrução e desenvolvimento das zonas afectadas.

Cabo Delgado entrou num discurso em que Chapo procurou ligar os problemas nacionais aos desafios colocados ao sistema multilateral. Guerras prolongadas, rivalidades geopolíticas, crises humanitárias, eventos climáticos severos e rápidas transformações económicas e tecnológicas foram apontados pelo Presidente entre as pressões que recaem sobre as Nações Unidas.

“Restaurar a confiança exige coerência entre os princípios que proclamamos e as decisões que tomamos”, afirmou. Para Chapo, essa confiança depende de uma aplicação justa do Direito Internacional e de resultados concretos na vida das populações.

O Diálogo Nacional chega a Nova Iorque

Chapo apresentou também à Assembleia Geral o Diálogo Nacional Inclusivo. Descreveu-o como um processo liderado pelos moçambicanos para aprofundar a reconciliação, a unidade nacional e as reformas necessárias, enquadrando-o no compromisso do país com a consolidação da paz e o fortalecimento das instituições democráticas.

O Presidente admitiu o apoio de parceiros ao processo, mas sublinhou a necessidade de respeito pela apropriação nacional.

Palestina e Sahara Ocidental mantêm-se na agenda

Na política externa, Chapo reafirmou posições de Moçambique. Sobre o conflito israelo-palestiniano, defendeu uma solução de dois Estados, com Palestina e Israel a viverem lado a lado, “em paz e segurança”, que considerou o caminho “justo, legítimo e duradouro”.

Sobre o Sahara Ocidental, invocou o princípio da autodeterminação dos povos consagrado na Carta das Nações Unidas para reafirmar o apoio de Moçambique “à causa do povo saharawi”.

Chapo pronunciou-se ainda contra medidas coercivas unilaterais, reiterou a defesa do fim do bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba e manifestou solidariedade com o Zimbabwe, defendendo o levantamento incondicional das sanções contra aquele país e outros Estados.

Chapo enquadrou estas posições numa defesa do multilateralismo assente no respeito pela soberania, integridade territorial, direitos humanos e resolução pacífica dos conflitos. Para Moçambique, argumentou, a cooperação internacional deve ser construída com base na igualdade entre os Estados e na liberdade de escolha.

A intervenção levou ainda para Nova Iorque uma mensagem directamente ligada a Cabo Delgado: os ganhos alcançados no terreno não dispensam uma resposta internacional que vá além da componente militar. Ao pedir apoio para a segurança, estabilização, reconstrução e desenvolvimento, Chapo colocou a recuperação das zonas afectadas no mesmo plano do combate ao terrorismo.

Foi também nesse ponto que o discurso juntou duas questões internas ainda em aberto: em Cabo Delgado, uma estabilização que o próprio Presidente reconhece estar incompleta; no plano político, um Diálogo Nacional Inclusivo apresentado às Nações Unidas como instrumento de reconciliação, unidade nacional e reformas.

Em Nova Iorque, Chapo deixou claro que, nos dois processos, Moçambique aceita o apoio externo, mas reclama para si a condução das soluções. Para o Diálogo Nacional, falou em “apropriação nacional”; para Cabo Delgado, pediu uma cooperação internacional “mais previsível e coordenada”.

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