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10 de August, 2026

Uma em cada quatro grávidas não ficou feliz com a gravidez em Quelimane

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Um estudo do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça aponta uma maior insatisfação entre adolescentes e mulheres cujos parceiros não desejavam a gravidez. A pesquisa revela, por exemplo, que cerca de 24,5% das mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não receberam com felicidade a confirmação da gravidez.

De acordo com os resultados da pesquisa, realizada pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), no âmbito da Rede CHAMPS, a insatisfação foi particularmente elevada entre as adolescentes, atingindo 42,2%. A percentagem subiu para 74,5% entre as mulheres cujos parceiros estavam insatisfeitos com a gravidez e chegou a 48,9% entre aquelas que não mantinham comunicação com os parceiros sobre questões reprodutivas.

Entre as principais razões para a insatisfação destacam-se a ausência de planeamento (30,2%), a gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que a gravidez poderia trazer para as suas vidas (17,7%). O curto intervalo entre gravidezes e o facto de algumas mulheres já não pretenderem ter mais filhos também foram apontados.

Por outro lado, diz o Relatório, entre as mulheres que receberam a gravidez com felicidade, 34,1% afirmaram que desejavam ter um filho, enquanto 28,5% consideraram a gravidez uma bênção ou uma boa surpresa e 24,7% disseram querer ter mais filhos.

O estudo, financiado pela Fundação Gates (do multimilionário norte-americano Bill Gates), analisou dados de 1.546 mulheres grávidas acompanhadas entre 2023 e 2024, através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv). Os resultados foram publicados na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth.

O estudo é apresentado pelos investigadores como o primeiro realizado em Moçambique a analisar a percepção das mulheres sobre a felicidade em relação à gravidez actual, bem como as razões e os factores associados a esses sentimentos.

Parceiros também enfrentam rejeição da gravidez

O estudo revela igualmente que 16,9% das mulheres afirmaram que os seus parceiros não estavam felizes com a gravidez. Entre as principais razões estavam a gravidez indesejada (30,2%) e a gravidez não planeada (29,0%).

Apesar de a aceitação da gravidez pelos parceiros ter sido elevada, chegando a 97,3%, foram identificados casos de rejeição. Entre os parceiros que rejeitaram a gravidez, 39,0% não queriam assumir a responsabilidade e 34,2% alegaram não ser os pais.

Para os pesquisadores, os resultados obtidos demonstram a necessidade de se adoptar uma abordagem centrada no casal, envolvendo os parceiros nas consultas, no aconselhamento e nas decisões relacionadas com o planeamento familiar.

O estudo recomenda igualmente maior atenção às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade social, promovendo o acesso à informação sobre contracepção, o diálogo entre os casais e o reforço dos programas de saúde materna e infantil.

A investigação contou ainda com a participação de investigadores do Instituto Nacional de Saúde, ISGlobal, Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, Universidade de Barcelona, Universidade de Washington e outras instituições nacionais e internacionais.

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