A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, defendeu, esta semana, que as mulheres continuam sub-representadas no mercado de trabalho formal, revelando que, dos 178.200 postos de trabalho ocupados por cidadãos moçambicanos no país, em 2025, apenas 41.115 foram preenchidos por mulheres, o equivalente a 23,3%.
A governante, que falava durante a abertura da quarta Conferência de Mulheres de Economia, defendeu a adopção de medidas que reforcem a inclusão económica feminina e garantam igualdade de oportunidades no acesso ao emprego, financiamento e empreendedorismo. Para Ivete Alane, os números demonstram que Moçambique continua a desperdiçar talento feminino e capacidade produtiva.
No entanto, no domínio da formação profissional, a Ministra do Trabalho, Género e Acção Social disse que, no ano passado, as mulheres representaram 44,8% dos beneficiários das formações técnico-profissionais e 49,4% dos estágios pré-profissionais remunerados. Mas, somente 21,4% das bolsas atribuídas ao Ensino Técnico-Profissional beneficiaram mulheres.
Segundo Ivete Alane, apesar de se observar uma aproximação à paridade na formação e nos estágios, persistem desigualdades no acesso às oportunidades de especialização e progressão profissional. Alane defendeu que a formação profissional deve estar alinhada com as necessidades do mercado de trabalho, advertindo que não basta qualificar pessoas sem criar condições para a sua inserção no emprego ou no empreendedorismo. “Formação desligada do mercado pode produzir certificados. Formação ligada às oportunidades produz competência, rendimento e autonomia”, afirmou.
Relativamente ao conteúdo local nos grandes projectos, Alane considerou que a avaliação deve ir além do número de empresas nacionais envolvidas, passando a medir a participação efectiva das mulheres. Nesse sentido, defendeu que sejam monitorizados indicadores como o número de mulheres contratadas, de empresas lideradas por mulheres integradas nas cadeias de fornecimento, os contratos atribuídos e a presença feminina em cargos de decisão. “Conteúdo local sem participação efectiva das mulheres é conteúdo local incompleto”, sublinhou.
Apesar dos desafios, Ivete Alane destacou alguns resultados alcançados em 2025 no que toca ao género. Afirma que as mulheres receberam 41,6% dos títulos individuais de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), ocuparam 44,3% dos postos de trabalho criados pelo Programa “Meu Kit, Meu Emprego” e representaram 40,5% dos projectos financiados pelo Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis. Ainda houve cerca de duas mil mulheres que beneficiaram de kits de geração de rendimento e que continuam activas nos seus negócios.
Para ela, estes resultados demonstram que as mulheres respondem positivamente sempre lhe são dadas oportunidades. No entanto, entende que é necessário criar-se condições para que as mulheres deixem de estar concentradas em actividades de subsistência e possam crescer economicamente. Defendeu ainda a criação de um percurso de desenvolvimento empresarial que permita às mulheres evoluir da poupança para o crédito, do crédito para o investimento, do investimento para empresas mais competitivas e destas para mercados mais amplos. (Carta)





